O bispo JB Carvalho, líder da igreja onde Flávio Bolsonaro se batizou em 2024, se distanciou nesta quarta-feira (28) do tom golpista adotado pelo senador após a derrota para Lula. "As eleições terminaram. Não tem terceiro turno. Vida que segue!", publicou no Instagram.
Na legenda da imagem, o bispo da Comunidade das Nações, igreja de Brasília, acrescentou: "Vamos viver a vida. Pare de profetizar o caos. Deus dará a cada um segundo suas obras. E Ele terá misericórdia do Brasil."
A divisão entre os evangélicos que apoiaram Flávio
A fala de Carvalho expõe a divisão entre líderes evangélicos que apoiaram a candidatura de Flávio. Silas Malafaia endossa a tese de perseguição política e chamou a fuga do senador aos Estados Unidos de "corretíssima".
Robson Rodovalho adotou linha parecida à de Malafaia. "Até Jesus Cristo ensinou a se proteger debaixo de perseguições", disse o bispo da Igreja Sara Nossa Terra. Já Cláudio Duarte pediu o fim da disputa: "Quem venceu, venceu, quem perdeu, perdeu".
Pedro Leite, outro pastor da Comunidade das Nações, acompanhou Flávio durante a apuração que o colocou atrás de Lula. Antes da fuga do senador, Carvalho já havia legendado com um resignado "vida que segue" uma montagem do mapa do Brasil apoiado numa mão.
O que aconteceu desde a derrota de Flávio
A manifestação de Carvalho ocorre três dias após a vitória de Lula no 2º turno, em 25 de outubro. Na noite da eleição, Flávio questionou o resultado e disse que pediria a anulação do pleito.
No dia seguinte, mudou o discurso para dizer que recorreria à Justiça Eleitoral por abuso de poder. O Centrão reconheceu a vitória de Lula e isolou Flávio na contestação, e o PL, partido do próprio senador, também reconheceu oficialmente o resultado.
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Nesta quarta, Flávio desembarcou em Miami com a esposa e as filhas após uma fuga que pegou aliados de surpresa. Dos Estados Unidos, divulgou carta em que se autodeclarou "verdadeiro presidente do Brasil", mudando em seguida para "líder do Brasil".
A carta trazia inicialmente um brasão com a palavra "Brazil" grafada com z, depois trocado pelo símbolo oficial "República Federativa do Brasil". O senador Marinho foi o único aliado citado por Flávio no documento enviado dos EUA.
O que acontece agora
Flávio segue nos Estados Unidos sem data de retorno anunciada, enquanto parte da base evangélica que o apoiou já sinaliza, como Carvalho, que considera o resultado da eleição encerrado.































