Dois dias depois do segundo turno, as prefeituras de São Paulo e Salvador ainda respondem por que a frota de ônibus ficou abaixo do exigido pela Justiça Eleitoral. Em São Paulo, 71% dos coletivos circularam; em Salvador, a frota caiu mais de 50%.
Uma resolução do TSE, de fevereiro, manda os municípios colocarem nas ruas a mesma frota de um dia útil em dia de eleição. Em São Paulo, a Justiça reforçou a ordem no sábado (24), véspera da votação.
Mesmo assim, circularam 8.814 ônibus de uma frota de cerca de 12 mil, segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Nunes atribuiu a diferença a motoristas que não compareceram ao chamado das empresas. "Só não foi para a rua o ônibus daquele motorista que não veio", disse em coletiva nesta terça (27).
Segundo ele, 3,2 milhões de passageiros foram transportados, número igual ao do primeiro turno, e "ninguém deixou de votar por causa de ônibus".
Em Salvador, o motivo alegado foi outro: operadores teriam retido cerca de 75 veículos nas garagens por causa de adesivos com o número de Lula, tratados como propaganda irregular. A Secretaria de Mobilidade confirmou o número à imprensa. O caso segue sob apuração.
Por que as duas cidades tiveram respostas judiciais tão diferentes?
Em São Paulo, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV) pediu a prisão em flagrante do secretário de Mobilidade e do presidente da SPTrans. O juiz eleitoral negou o pedido, por falta de elementos concretos.
A prefeitura foi ameaçada de multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento, em ação popular de parlamentares do PSOL.
Em Salvador, o presidente do TRE-BA determinou a prisão em flagrante do secretário de Mobilidade, Pablo Souza, que estava em Paris. Fixou multa de R$ 1 milhão por hora de descumprimento, com tarifa gratuita até a frota voltar às ruas.
O Ministério Público Eleitoral recebeu cópia do caso para apuração criminal, e a Procon-BA autuou a empresa de ônibus OT Trans.
A falta de transporte nas duas cidades, somada a relatos semelhantes em outros municípios, levou o ministro Cristiano Zanin, do STF, a estender a votação até as 19h em todo o país. Depois, a medida ficou restrita às seções ainda abertas.
Antes do 2º turno, o STF já havia negado pedido de gratuidade em ônibus interestadual para o dia da votação.
O pedido de anulação do 2º turno também tramitou na Justiça Eleitoral.
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Depois da eleição, o presidente reeleito Lula disse que vai cobrar responsabilização. "Depois das eleições, o próximo passo é pedir a prisão desses prefeitos por crime eleitoral", afirmou, sem citar nomes diretamente.
O caso também está no radar da missão de observadores internacionais da OEA, que acompanhou o 2º turno no país.
O ponto em aberto
As duas prefeituras tiveram frota abaixo do exigido, mas só uma teve a prisão de um secretário decretada.
O que ainda não está claro é se esse critério vai se firmar como padrão para a próxima eleição, quando o histórico de 2026 já estará nos autos.































