O FMI e a Argentina fecharam nesta terça-feira (27) um acordo técnico que pode liberar US$ 900 milhões ao país, dentro do programa de US$ 20 bilhões aprovado em abril de 2025. A liberação ainda depende do Conselho Executivo do Fundo.
O Fundo destacou o cumprimento das metas: as reservas superaram em cerca de US$ 4 bilhões o previsto para junho, o país registrou superávit fiscal e a inflação perdeu força.
A revisão vai ao Conselho Executivo do FMI no início de dezembro. Se aprovada, os US$ 900 milhões entram no caixa argentino.
O acordo chega num momento delicado: a Argentina entrou em recessão técnica em outubro, depois de perder 32 mil empresas em quase três anos de governo Milei.
Por que isso importa para o Brasil?
O Brasil é afetado porque é o maior parceiro comercial sul-americano da Argentina, mas vem perdendo espaço. As exportações brasileiras ao país caíram 18,1% nos últimos 12 meses, e a China já superou o Brasil como maior fornecedor argentino.
Entre janeiro e junho, a Argentina comprou US$ 7,98 bilhões em produtos chineses e US$ 7,65 bilhões em produtos brasileiros. Foi a primeira vez, desde a retomada do comércio bilateral, que o Brasil deixou de ser o principal fornecedor do país vizinho.
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O setor automotivo é o mais afetado. A retirada de subsídios argentinos a energia, gás e transporte elevou o custo de vida, e consumidores adiaram a compra de bens duráveis, entre eles carros fabricados no Brasil.
O avanço chinês já tinha sido registrado em agosto, quando a China ultrapassou o Brasil como maior fornecedor da Argentina pela primeira vez. Em julho, o presidente Lula já havia mandado o governo baixar a poeira com Milei para proteger o comércio bilateral.
Em fevereiro, os Estados Unidos fecharam acordo comercial com o governo Milei, eliminando tarifas para 1.600 produtos argentinos, cerca de US$ 1 bilhão. Nos últimos seis meses, as vendas da Argentina aos EUA cresceram mais que as vendas ao Brasil.
O ponto em aberto
O novo desembolso do FMI pode aliviar o caixa argentino, mas não resolve sozinho a perda de espaço do Brasil no mercado vizinho.
A dúvida que fica é se a recuperação fiscal de Milei, se confirmada em dezembro, vai se traduzir em mais importações do Brasil, ou se a Argentina vai seguir comprando mais da China e dos Estados Unidos.































