O fundador do Partido Novo e ex-candidato à Presidência, João Amoêdo, declarou voto em Lula (PT) no 2º turno das eleições, nesta sexta-feira (23). Ele chamou Flávio Bolsonaro (PL) de "risco maior" e disse que seguirá na oposição a quem for eleito.

Serei oposição a qualquer um dos dois que vier a ser eleito, mas, entre a irritação com um novo governo Lula e o risco que representa um governo Bolsonaro, fico com a primeira opção.

A frase resume a posição de Amoêdo, que não esconde ressalvas a Lula.

Não é a primeira vez que o empresário muda de lado entre dois turnos. Em 2018, foi candidato a presidente pelo Novo, terminou em 5º lugar com 2,7 milhões de votos no 1º turno e votou em Jair Bolsonaro no 2º.

É a segunda vez seguida que Amoêdo vota contra um Bolsonaro no 2º turno: em 2022, apoiou Lula contra Jair Bolsonaro e deixou o partido pouco depois, sob críticas internas.

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As ressalvas a Lula que ele mantém são concretas. Amoêdo cita a condução das contas públicas, a falta de diálogo com setores divergentes, as indicações ao Supremo Tribunal Federal e a candidatura a um quarto mandato com rejeição alta.

Contra Flávio, as críticas vão além da gestão. Amoêdo menciona suspeitas de "rachadinha" e de lavagem de dinheiro contra o senador, e associa sua candidatura ao objetivo de obter indulto ao pai, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe.

Por que Amoêdo decidiu votar em Lula

Por que Amoêdo decidiu votar em Lula tem a ver com o Congresso, não só com o Planalto. Ele argumenta que um Lula reeleito enfrentaria oposição no Senado, enquanto Flávio poderia ter base legislativa favorável e perspectiva de reeleição em 2030.

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O posicionamento também não é isolado. Outros nomes do campo da direita e do centro já haviam se somado às críticas de ex-aliados contra Flávio nesta reta final de campanha.

Amoêdo também já havia entrado em atrito com pré-candidatos do seu próprio espectro político neste ciclo: em agosto, criticou o governador Romeu Zema após uma sabatina, e foi rebatido publicamente pelo próprio candidato.

O temor do indulto citado por Amoêdo esbarra, porém, em entendimento do STF sobre os limites da medida. O 2º turno acontece no domingo (25).