O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu, nesta sexta-feira (23), consulta pública sobre a expansão da infraestrutura nacional de recarga de veículos elétricos, diante do forte crescimento das vendas em 2026. O objetivo é reunir dados sobre barreiras legais e regulatórias do setor.

As contribuições podem ser enviadas até 22 de novembro, em seis eixos temáticos, como acesso à recarga e cargas concentradas de frotas.

Os emplacamentos de veículos leves eletrificados somaram 381.609 entre janeiro e setembro, cerca de 70% acima de todo o ano de 2025, segundo o MME, com base em dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Em setembro, os elétricos alcançaram 19,8% das vendas de veículos leves, "ritmo que tem superado as projeções oficiais disponíveis", disse o MME, em nota técnica.

O governo avalia que a eletrificação da frota é uma tendência estrutural, puxada também pela entrada de montadoras estrangeiras com investimentos em produção local no Brasil.

Por que a recarga virou um gargalo

O Brasil tem hoje 29.866 pontos de recarga públicos e semipúblicos, segundo o MME, com base em dados da ABVE e da Tupi Mobilidade. A distribuição, porém, é muito concentrada.

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São Paulo sozinho reúne 26,3% dos pontos de recarga do país. Somado aos três estados do Sul, o bloco chega a 50,7% do total. Os sete estados do Norte, juntos, somam apenas 3,4%.

A chinesa BYD, que vai dobrar a capacidade da fábrica na Bahia para 600 mil carros por ano, é um dos exemplos de montadora estrangeira que o governo cita. Stellantis, Volkswagen, Toyota e GWM também apostam em elétricos e híbridos no Brasil.

Esses planos somam cerca de R$ 130 bilhões até 2030, segundo levantamento do próprio governo. A expansão da frota elétrica já vinha pressionando a rede: o número de estações vinha crescendo junto com as vendas ao longo do ano.

Os carros chineses, hoje parte central da oferta de elétricos no país, já respondem por 21% do mercado brasileiro de veículos novos.

O que acontece agora

A consulta pública do MME segue aberta para contribuições até 22 de novembro. Depois disso, o ministério deve usar o material para formular o diagnóstico nacional e propor ajustes normativos para o setor.