Pesquisadores da Microsoft desenvolveram uma ferramenta de inteligência artificial que diagnostica pacientes passo a passo, como faria um médico, e foi mais de duas vezes mais precisa do que clínicos gerais em casos complexos. O estudo foi publicado na quinta-feira (22) na revista Science.
A ferramenta usa um sistema chamado "orquestrador", que coordena um painel simulado de especialistas. Ele decide o que perguntar sobre o histórico do paciente, avalia o exame físico e escolhe os exames a pedir, revisando hipóteses conforme os resultados chegam.
Modelos de IA médica anteriores costumavam analisar todos os sintomas e exames de uma vez só. Em mais de 300 casos incomuns e difíceis, o novo modelo foi duas vezes mais preciso que generalistas com livros e internet à disposição.
A ferramenta também superou médicos em simulações baseadas em um grande banco de dados de admissões em pronto-socorro. Segundo os pesquisadores, o processo de diagnóstico conduzido pela IA também custou menos do que o realizado por médicos.
"A IA ficou muito boa em acertar 100% dessas questões. Mas, é claro, isso não corresponde ao mundo real. Nenhum paciente jamais chegou ao meu consultório com um resumo bem organizado", disse Dominic King, vice-presidente corporativo da unidade de saúde da Microsoft AI.
"Não estamos medindo apenas a precisão dos sistemas. Também medimos o cuidado e o critério com que eles conduzem uma investigação diagnóstica", afirmou Harsha Nori, chefe de IA da Microsoft AI Health.
O que diz a regra brasileira para IA na medicina
No Brasil, a Resolução CFM nº 2.454/2026, do Conselho Federal de Medicina, em vigor desde agosto, permite que a IA apoie decisões clínicas, mas proíbe que ela feche diagnóstico ou comunique resultado ao paciente sem um médico no meio do caminho.
Publicidade
"Um marco regulatório para o setor", definiu Jeancarlo Cavalcante, coordenador da Comissão de IA do CFM, sobre a norma, que também protege o médico de responder sozinho por falha atribuível só ao sistema, desde que o uso tenha sido ético e crítico.
O Brasil já testa IA aplicada a diagnóstico em outras frentes: uma ferramenta reduziu para 12 minutos o diagnóstico de câncer cerebral em estudo local.
Há ainda um centro de pesquisa brasileiro usando smartwatches para diagnóstico precoce de doenças, parte do mesmo movimento que a Microsoft tenta acelerar com o orquestrador.
O setor de saúde brasileiro já vinha incorporando IA antes da resolução do CFM, em ferramentas que prometem agilizar triagem e gestão de hospitais e clínicas pelo país.
O que acontece agora
A Microsoft vai testar a ferramenta na triagem de pacientes em salas de espera de pronto-socorro, em parceria com o Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston.































