A bancada formada por policiais, ex-policiais e militares eleitos no 1º turno soma 41 deputados federais e senadores, ante 35 em 2022, alta de 17,14%, segundo a Folha, com dados do TSE. O grupo promete priorizar a maioridade penal no Congresso de 2027.

"A sociedade entende que os deputados, os representantes do povo, precisam falar mais sobre segurança. Então é claro que a bancada se fortalece", disse o deputado Alberto Fraga (PL-DF), um dos principais nomes do grupo.

Fraga projeta 60 eleitos para o próximo pleito. O levantamento da Folha considera quem declarou profissão de policial civil ou militar, bombeiro militar, militar reformado ou integrante das Forças Armadas.

O número real pode ser maior, já que parte dos eleitos não usa a patente no nome de urna, caso do senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), capitão da reserva da PM-SP.

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Em 2018, o PSL, partido de Jair Bolsonaro à época, foi a legenda que mais elegeu policiais e militares, com 18 representantes.

O que Lula e Flávio propõem sobre maioridade penal

Lula defende reduzir a idade penal para 16 anos só em crimes hediondos, como feminicídio, latrocínio ou estupro, posição apresentada em sabatina na TV Globo.

A posição contraria o histórico do PT, que no 1º turno já defendia os 16 anos só para hediondos.

Flávio prometeu reduzir a idade penal para 16 anos para qualquer tipo de crime, e para 14 anos em crimes graves, como estupro, tráfico, tortura e homicídio.

Pesquisa Datafolha divulgada em 17 de outubro mostra que 80% dos brasileiros apoiam a redução da maioridade penal para 16 anos. Entre eleitores de Lula, o apoio é de 70%; entre os de Flávio, chega a 89%.

O levantamento, contratado pela Folha de S.Paulo (registro TSE BR-00466/2026), ouviu 2.520 pessoas entre 13 e 14 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Entidades de direitos humanos criticam a proposta. Para Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, a medida retira direitos de crianças e adolescentes sem responsabilizar as instituições do Estado.

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Dados do CNJ mostram que 23,9% dos adolescentes internados entre 2015 e 2019 reingressaram no sistema socioeducativo, contra 42,5% de taxa de retorno entre adultos ao sistema de Justiça.

"O argumento não é ideológico, mas estatístico: a prisão comum produz mais reincidência", afirma a advogada Gabriela Bemfica, presidente da Abracrim-DF. O sistema voltado a adolescentes reincide menos que o dos adultos, mesmo sendo o alvo do endurecimento.

O que acontece agora

A nova legislatura toma posse em fevereiro de 2027, quando a bancada da bala amplia sua presença em comissões como a de Segurança Pública. A PEC que reduz a maioridade penal segue sem data certa para votação no Senado.