O apoio de celebridades às eleições de 2026 encolheu perto de 2022: até o fim de setembro, mais de 100 artistas assinaram manifesto pela reeleição de Lula, enquanto o senador Flávio Bolsonaro tem apoio público declarado apenas do cantor Amado Batista.
Em 2022, quando Lula disputava o terceiro mandato contra Jair Bolsonaro, os dois lados reuniam um naipe amplo de apoios. O petista teve respaldo de Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Pabllo Vittar, Anitta, Ludmilla e Wagner Moura.
Bolsonaro reuniu o setor sertanejo, com Gusttavo Lima, Zezé Di Camargo, Leonardo e os jogadores Neymar e Ronaldinho Gaúcho.
Para o professor da Faculdade Cásper Líbero Luis Mauro Sá Martino, estudioso de mídias sociais, o apoio político de uma celebridade é uma troca de mão dupla. O artista empresta o que ele chama de "capital midiático" (prestígio e visibilidade).
Em troca, o político oferece o "capital político": a relevância nas decisões públicas.
Sá Martino diz que existe risco de perda de público quando o artista se posiciona politicamente: ao vincular a carreira ao desempenho de um político nas urnas, o artista aposta o próprio prestígio no resultado da eleição.
"Uma coisa é o artista se posicionar em relação às questões de seu tempo, de maneira mais geral; outra é assumir um apoio partidário", afirma Sá Martino. Para ele, o cálculo do artista é de audiência, não de voto: "Artistas buscam públicos, não necessariamente eleitores."
Até a metade de setembro, poucos famosos haviam declarado voto ou pedido apoio a Lula, que tenta o quarto mandato, ou a Flávio, candidato que representa o pai, preso desde 2025.
O cantor Amado Batista é o único apoio direto e presencial declarado a Flávio até agora: recebeu o senador em julho, em sua fazenda em Goiás, e gravou um vídeo publicado nas redes do próprio candidato.
Outros nomes do meio artístico gravitam perto da campanha de Flávio sem endosso explícito. A apresentadora Penélope Nova postou fotos ao lado dele, e o cantor Leonardo fez uma saudação, de forma indireta.
Zezé Di Camargo mandou mensagem a Jair Bolsonaro sem citar o filho, e o atacante Neymar autografou uma camisa do candidato sem declarar apoio público. Na ausência de famosos, a propaganda de Flávio conta com a família: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no horário eleitoral.
Do outro lado, mais de 100 artistas, intelectuais e produtores assinaram manifesto pela reeleição de Lula. Estão entre eles Caetano Veloso, Chico Buarque, Maria Bethânia, Ivete Sangalo e Xamã.
O PT registrou a candidatura de Lula e Alckmin no TSE com apoio de sete partidos, em agosto. Em 17 de setembro, Janja publicou vídeo com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Malu Mader, Paulinho da Viola, Sophie Charlotte e Xamã dizendo "Bora Lula".
O que acontece agora
As campanhas de Lula e de Flávio avaliam que artistas e influenciadores rendem mais votos num eventual segundo turno do que no primeiro, e reservam para essa fase a mobilização mais ampla de nomes. Dirigentes dos dois campos sondam personalidades alinhadas para uso futuro.
O vídeo de Flávio reuniu 16 influenciadores, incluindo Firmino Cortada e Mônica Salgado. O TSE já decidiu que influenciador pago para fazer campanha é ilegal, embora a colinha eleitoral em si seja permitida.
A régua entre os dois times, por ora, segue a mesma: silêncio no primeiro turno.





























