O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu "mais rua e mais selfie" em reunião de campanha na segunda-feira (5). O compromisso veio após críticas internas à comunicação digital no 1º turno, puxadas pela deputada eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos.

"É o momento de nós calçarmos a sandália da humildade, enquanto esquerda, enquanto um aspecto político que não sabe se comunicar na rede social", disse Ana Elisa ao Acorda Metrópoles nesta terça (6). "Essa eleição será decidida por quem consegue se comunicar mais."

A deputada, que recebeu 524.219 votos e será a mais jovem eleita por Minas Gerais, foi direta sobre o diagnóstico. "Não existe linguagem de comunicação na campanha do presidente Lula, e isso não é culpa do presidente. O presidente está ocupado fazendo campanha", afirmou.

Ela citou um exemplo prático: um texto longo publicado no X com as diretrizes de Lula para a eleição. "A linguagem de agora é um vídeo no feed, é um vídeo no Reels, é um vídeo no TikTok", disse.

Quem mais criticou a comunicação da campanha

Ana Elisa não foi a única voz do entorno petista a apontar o problema. Bia Lula, neta do presidente, também criticou a estratégia em comentário no Instagram: "Comunicação velha não adianta mais. Por mentes mais abertas para a comunicação do presidente Lula."

A jornalista Natuza Nery, da GloboNews, foi além e defendeu que Ana Elisa deveria integrar o comitê de campanha. "Por que uma deputada, uma política como essa, no momento seguinte a uma derrota acachapante, já não telefonaram", questionou.

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"Essa é uma pessoa que tinha que ter sido chamada pra fazer parte do comitê da campanha de Lula", completou Natuza.

O que a campanha decidiu mudar

Na reunião de segunda-feira, em um hotel na Asa Sul, em Brasília, o tema central foi a abstenção de 21,08% no 1º turno, o equivalente a 33,4 milhões de eleitores. Lula não fez autocrítica pessoal, mas reconheceu falhas estratégicas.

"Vou ter que fazer mais rádio, vou ter que fazer mais selfie, vou ter que conversar mais", disse o presidente. Participaram Edinho Silva, Rafael Fonteles, Elmano de Freitas, José Guimarães e o vice-presidente Geraldo Alckmin, além do ministro da Secom, Sidônio Palmeira, como observador.

Entre as mudanças definidas estão mais passeatas no Ceará, Piauí, Bahia e São Paulo, mais entrevistas de rádio e foco reforçado no Nordeste, região de maior vantagem de Lula.

O que acontece agora

Flávio Bolsonaro (PL) e Lula disputam o 2º turno em 25 de outubro, após 47,03% e 45,16% dos votos válidos no 1º turno. Ana Elisa disse que a chave de comunicação precisa mudar "até domingo" para o 2º turno ser viável.