O bitcoin caiu apenas 1,19% na segunda-feira (2 de novembro), para US$ 76.860,55 por volta das 17h (horário de Brasília), quatro dias depois do maior roubo da história das criptomoedas: US$ 6,3 bilhões retirados da Binance em um ataque de cerca de 20 minutos.
A reação modesta chama atenção porque o episódio reacendeu dúvidas antigas: a segurança das grandes corretoras centralizadas e o risco de guardar ativos fora da própria carteira do investidor. O ethereum, a segunda maior criptomoeda, também recuou pouco: caía 0,45%, a US$ 2.250,87.
Para Naeem Aslam, analista da Zaye Capital Markets, o roubo representa um teste da confiança dos investidores nas contrapartes centralizadas, não um evento isolado.
Um motivo concreto explica a calma do mercado: a Binance já recompôs 95% dos ativos roubados e retomou os saques, segundo a própria corretora.
No Brasil, a corretora Mercado Bitcoin também relatou um ataque, com perdas de US$ 50 milhões. A empresa suspendeu temporariamente saques e depósitos, mas garantiu que não houve prejuízo às contas dos clientes.
O mercado de derivativos mostra como o apetite por risco diminuiu. Segundo Nick Forster, fundador da plataforma Derive.xyz, as opções negociadas indicam apenas 3,5% de chance de o bitcoin superar US$ 100 mil até o Natal, ante 6% antes do ataque.
A chance de a moeda ultrapassar US$ 80 mil até sexta-feira (6 de novembro) caiu para 26%. Forster também aponta as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, na terça-feira (3 de novembro), como o próximo teste de humor do mercado.
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Nem todo investidor institucional recuou. A empresa americana Strategy informou ter comprado 811 bitcoins por US$ 65,5 milhões entre 26 de outubro e 1º de novembro, a um preço médio de US$ 80.849.
Hoje, essa compra está no prejuízo a mercado, já que o bitcoin caiu para US$ 76.860,55.
O episódio também ganhou um capítulo geopolítico. O FBI atribuiu o ataque ao grupo norte-coreano TraderTraitor, mas a Coreia do Norte negou o envolvimento na segunda-feira (2 de novembro), por meio da mídia estatal.
Kim Yo Jong, irmã do líder Kim Jong-un e diretora do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, chamou a acusação do FBI de "absurda e nada nova" e de tentativa de "minar a dignidade e o prestígio" do país.
O ponto em aberto
O mercado aposta que a recomposição rápida da Binance evitou uma corrida bancária digital, mas a dúvida sobre a segurança das grandes corretoras centralizadas não desaparece com um comunicado de 95% recomposto.
Falta saber se os 5% restantes serão cobertos, e se o episódio muda a forma como investidores guardam cripto a partir de agora.































