O chef Julio Ritta, de 42 anos, serviu picanha a mais de 500 pessoas em situação de vulnerabilidade no Viaduto da Conceição, em Porto Alegre, na segunda-feira (2 de novembro), em resposta ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que zombou da perda de patrocinadores.
O projeto social Cozinheiros do Bem, que Ritta fundou e mantém há 11 anos, perdeu patrocínios depois que empresários e doadores retiraram apoio após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na quinta-feira (29 de outubro), Nikolas ironizou a situação nas redes sociais: "O cara tem um projeto 'Cozinheiros do Bem'. Tem uma festa programada para dia 14 onde terá o cantor MV Bill", escreveu o deputado.
"Ele fez esse vídeo xingando a direita (no mínimo 60 milhões de pessoas) e agora os patrocinadores e doadores cancelaram toda verba", completou Nikolas.
Nikolas também questionou por que o projeto deveria receber recursos de pessoas que, segundo ele, Ritta chamou de "milicianas, extremistas, fascistas e genocidas".
Ritta respondeu no mesmo dia, com ironia e um ataque pessoal: "Late mais alto, moleque. Aproveita e pega o próximo voo e não esquece de pegar a peruca", disse.
A fala é uma referência a um episódio em que o deputado usou peruca rosa na tribuna da Câmara para ironizar pessoas trans. O TSE já determinou a Nikolas que apagasse outro post polêmico durante a campanha.
Publicidade
No domingo (1º de novembro), o chef publicou vídeo mostrando a ação em Porto Alegre. Na segunda, foi além: serviu risoto à parisiense, picanha ao molho demi-glace, salada, suco e cuca a famílias e pessoas em situação de rua no viaduto.
O que o teu Cristo faria se estivesse vivo hoje? Andaria só com quem tem dinheiro?
Ritta também disse, sobre o público atendido: "Mais de 500 pessoas hoje aqui não vão precisar meter a mão numa lata de lixo pra comer".
Em entrevista ao Boletim Metrópoles na mesma segunda-feira, o chef desafiou Nikolas a participar pessoalmente de uma ação do grupo. Classificou o deputado como "um deputado de TikTok" que prefere polemizar a mostrar mudanças concretas.
Desde a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Lula no 2º turno, Nikolas passa a defender publicamente, segundo o Metrópoles, o direito de demitir funcionários que votaram no PT.
Ele também defende deixar de apoiar projetos sociais por motivo político. A onda de boicotes políticos do pós-eleição já foi parar na PF e na PGR, com o nome de Nikolas citado.
O que acontece agora
Até a publicação das matérias que relataram o episódio, não havia registro de resposta de Nikolas ao evento da picanha. O embate, que começou nas redes sociais, já soma uma semana e segue sem sinal de trégua entre os dois.































