O governo brasileiro embarca para a China entre os dias 14 e 18 de setembro para testar se Pequim compra créditos de carbono do país, com a meta de anunciar um memorando de entendimento até a COP31, em novembro, na Turquia. A missão é liderada pela secretária extraordinária do Mercado de Carbono, Cristina Reis, da Fazenda.
O potencial brasileiro chega a 314,3 milhões de créditos de carbono, um mercado que pode valer até R$ 3,5 bilhões até 2035, segundo a Forbes Brasil.
O desenho original do sistema global previa a verificação desses créditos só entre 2031 e 2035. Contribuições recebidas numa consulta pública deste ano levaram o governo a estudar adiantar esse cronograma.
Se isso acontecer, o Brasil tem que ser o primeiro a oferecer créditos de alta integridade
afirmou Cristina Reis, secretária extraordinária do Mercado de Carbono, à Forbes Brasil.
Como funciona a venda de créditos
A venda funciona por meio dos ITMOs (resultados de mitigação transferidos internacionalmente, na sigla em inglês). Um país que reduziu mais emissões do que precisa vende o excedente a outro que ainda não bateu sua meta climática, dentro do Acordo de Paris.
A coalizão que negocia esse mercado reúne hoje 10 países (Brasil, China, União Europeia, Alemanha, Canadá, Singapura, França, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido e Turquia), juntos responsáveis por 42% das emissões globais.
O grupo nasceu na COP30, em Belém, e agora prepara em Wuhan um plano de trabalho para os próximos seis anos rumo à COP31.
O que muda para a indústria brasileira
Quem sente o efeito primeiro é a indústria pesada brasileira. Papel e celulose, siderurgia, cimento, alumínio primário, petróleo e gás e transporte aéreo têm até 2027 para começar a informar as emissões ao Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).
É a peça doméstica que sustenta a venda de créditos ao exterior.
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Empresas brasileiras com menor intensidade de carbono devem ganhar vantagem comercial e acesso mais fácil a financiamento verde. A pressão para isso também vem da Europa.
O Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) da União Europeia entrou em fase definitiva em janeiro de 2026. Exportadores brasileiros de aço, alumínio, cimento e fertilizantes já precisam registrar as emissões incorporadas nos produtos para vender ao bloco.
Nem todo sistema equivalente tem vida fácil. O sistema de comércio de emissões da própria União Europeia, referência mais antiga do modelo, enfrenta críticas de setores industriais e de grupos ambientais.
É sinal de que integrar mercados de carbono entre países com economias diferentes é mais difícil na prática do que no papel.
O que acontece agora
As reuniões técnicas em Wuhan começam nesta sexta-feira (11) e vão até o dia 18 de setembro. Autoridades de clima e de mercado de carbono do Brasil e da China aprovam ali um plano de trabalho de seis anos para a coalizão.
Se a costura avançar, o memorando de entendimento entre os dois países deve ser anunciado na COP31, em novembro, na Turquia.


























