Christine Lagarde anunciou nesta quinta-feira (29) que vai deixar a presidência do Banco Central Europeu em 7 de fevereiro de 2027, oito meses antes do fim do mandato. A antecipação dá tempo para a União Europeia escolher sucessor antes da eleição francesa de abril.

"A presidente do BCE, Christine Lagarde, informou hoje ao Conselho do BCE e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, que deixará o cargo em 7 de fevereiro de 2027", informou o BCE. Lagarde está à frente da instituição desde novembro de 2019.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, publicou que o processo de escolha do sucessor "será iniciado hoje e prosseguirá sem demora, com vistas a uma decisão atempada do Conselho Europeu".

Os números mostram uma saída calculada, não uma crise repentina: a data de fevereiro cabe exatamente antes do calendário eleitoral francês, e a taxa de juros segue em trajetória que já pressiona o bolso de quem compra em euro, inclusive do turista brasileiro.

Por que agora, e não em outubro de 2027

Segundo a agência Reuters, Lagarde busca recuperar margem para atuar politicamente, na França e internacionalmente, algo que a presidência do BCE não permite por exigir neutralidade. Rumores sobre a saída antecipada já circulavam desde fevereiro deste ano.

Ao sair em fevereiro de 2027, Lagarde permite que o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, participem da escolha do sucessor antes da eleição presidencial francesa de abril, que tem Marine Le Pen entre as favoritas nas pesquisas.

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A crise que pressiona a França

A França se aproxima de uma crise de dívida que acendeu alerta global: o país paga hoje os juros mais altos em 25 anos para se financiar, com spread acima do de qualquer outro país da zona do euro.

A tensão fiscal já levou a protestos no país, numa dívida pública no maior nível desde 1978. Nesse cenário, o BCE escolherá entre o espanhol Pablo Hernández de Cos e o holandês Klaas Knot, ex-presidentes de bancos centrais apoiados pelos respectivos governos.

O ponto em aberto

O mercado reagiu pouco ao anúncio: a saída ocorre num momento de estabilidade para o BCE, com inflação na meta e juros neutros. A pergunta que fica é se essa calmaria resiste à eleição francesa de abril, que a data de saída tenta blindar.