O governo renovou nesta terça-feira (27) a subvenção de R$ 2,12 por litro do diesel por mais 30 dias, segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento. A renovação vai custar R$ 10,5 bilhões, bancados por receitas extraordinárias do petróleo, informou a pasta.
Sem a renovação, o benefício acabaria nesta semana. O valor da subvenção cairia de R$ 2,12 para R$ 1,12 por litro, patamar da medida provisória original. A decisão foi publicada por portaria no Diário Oficial da União.
De onde vem o dinheiro?
O Ministério da Fazenda estima receitas extraordinárias de R$ 67,5 bilhões com o petróleo em 2026. A conta soma R$ 21 bilhões de imposto de exportação e R$ 46,5 bilhões de venda de óleo, participação e royalties.
As medidas para conter o preço dos combustíveis custaram R$ 32,4 bilhões até setembro. São R$ 24,4 bilhões em subsídios e R$ 8 bilhões em renúncia fiscal, segundo o próprio ministério.
A folga entre o que entra e o que sai ainda é positiva para o governo, mas depende do petróleo continuar caro. O Brent fechou a US$ 116,93 na sexta-feira (23), o maior valor desde abril, após ataques dos houthis à Arábia Saudita.
O fim do subsídio não geraria aumento automático de R$ 2,12 na bomba, porque a decisão final de repasse é dos fornecedores. Em cenário extremo, o Goldman Sachs projeta que o diesel poderia chegar a R$ 9 ou R$ 10 o litro.
Quem fica com a maior fatia do subsídio?
A Petrobras recebeu 86% dos R$ 15,5 bilhões em subsídios pagos pela ANP.
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Na subvenção específica do diesel, a estatal ficou com 96% da primeira rodada e 77,5% da segunda. Na única subvenção de 2026 exclusiva para importadores, de R$ 348 milhões, a Petrobras não recebeu nada.
O dinheiro dessa rodada foi para empresas como Royal FIC, Refinaria de Manaus e Sul Plata. Segundo o banco JPMorgan, mesmo com o subsídio maior ao diesel importado, o produto da Petrobras seguiu mais vantajoso que o dos concorrentes.
A subvenção ao diesel já passou por idas e vindas em 2026. Uma versão anterior do benefício foi encerrada em julho, após custar R$ 2,7 bilhões em dois meses, e voltou a crescer com a piora do cenário externo.
O governo já havia mantido o subsídio em R$ 2,12 às vésperas da eleição, em setembro.
O Brent já operava acima de US$ 112 desde o ataque houthi à Aramco, na semana anterior ao pico de sexta-feira.
O ponto em aberto
O governo trata a conta do petróleo como favorável porque a receita extra supera o custo das medidas de contenção. Essa folga depende do Brent seguir pressionado pelo conflito no Oriente Médio, e a concentração do subsídio na Petrobras preocupa analistas pela concorrência com importadores.































