O petróleo fechou nesta quinta-feira (22) perto de US$ 110 o barril, revertendo a queda da véspera, com o mercado voltando a temer uma escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã. A alta já repercute no Brasil, do posto à Bolsa.

Segundo o Valor Econômico, o avanço veio depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmar que o país não vai atacar o Irã antes das eleições de meio de mandato americanas, em 3 de novembro.

O Wall Street Journal informou, porém, que os militares americanos já preparam opções para atingir o Irã, citando autoridades do governo dos Estados Unidos.

Plataforma de petróleo da Petrobras no mar, vista aérea
Plataforma da Petrobras na Bacia de Campos, que retomou 100% da produção em março de 2026. Foto: Petrobras/Divulgação

O Brent havia caído para US$ 108,79 na quarta-feira (21), na esteira de sinais de diálogo entre EUA e Irã. Nesta quinta, o contrato voltou a subir e avançou para US$ 110,13.

O que sustenta a alta do petróleo

A alta é sustentada pelo bloqueio que o Irã mantém no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quarto do petróleo comercializado no mundo. O governo iraniano condiciona a reabertura total ao fim das sanções ao seu petróleo.

Em março, quando a crise começou, o ministro iraniano do petróleo, Mohammad Bagher Ghalibaf, previu que "o preço do petróleo pode permanecer acima de US$ 100 por algum tempo". Sete meses depois, a previsão se confirma.

O efeito no bolso do brasileiro

No Brasil, o efeito chega direto ao posto e à Bolsa. A gasolina comum subiu 5,5% em 2026 até a primeira semana de outubro, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com o litro custando em média R$ 6,587.

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A pressão sobre o preço nos postos não é nova. Ela dura desde que a guerra no Irã passou a pesar no bolso do consumidor brasileiro, ainda em março.

Na Bolsa, o movimento é inverso ao do consumidor. A Petrobras acumulou alta de mais de 120% em dólares em 2026 e subiu 22,45% só em outubro, beneficiada pela disparada do petróleo.

O Ibovespa fechou em alta de 0,44%, a 187.422,92 pontos nesta quinta.

A mesma crise que pressiona o preço na bomba turbina o lucro de quem tem ação da Petrobras. É um contraste que o mercado brasileiro acompanha desde que a guerra no Irã começou, em março.

A alta também pressiona o diesel. Com o barril acima de US$ 111 na semana passada, a Petrobras já opera perto do teto do subsídio que sustenta o preço do combustível no mercado interno.

O gráfico resume o que já está nos preços. Quem abastece sente a conta mais alta, e quem investe na estatal colhe o lado oposto do mesmo barril mais caro.

O que acontece agora

Trump já disse que não vai atacar o Irã antes das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, em 3 de novembro, o que deve manter a tensão sem uma escalada militar direta até lá.

No Brasil, o próximo termômetro é a semana que vem. A ANP divulga nova pesquisa de preços nos postos, e a Petrobras pode reajustar a refinaria caso o barril continue acima de US$ 110.