Quase nove em cada dez alegações sobre saúde verificadas pela Agência Lupa entre 2017 e junho de 2026 eram falsas. Das 764 afirmações analisadas em 498 checagens, 667 (87,3%) receberam essa classificação, segundo o relatório Raio-X da Desinformação em Saúde.

O relatório é do Observatório Lupa, núcleo de pesquisa da agência, com apoio da Afya, grupo de educação médica. A Lupa não exige um número mínimo de visualizações para classificar um conteúdo como viral.

Em 2020 e 2021, a Lupa verificou 452 conteúdos sobre saúde, cerca de dez vezes os 44 analisados entre 2017 e 2019. A Covid-19 respondeu por 82,3% das alegações checadas durante a pandemia.

Uma publicação, por exemplo, afirmava que um chá de limão, alho e jambu aliviaria os sintomas da Covid e permitiria a recuperação sem necessidade de ir ao hospital.

Quais são as estratégias mais usadas

As alegações falsas mais comuns usam falsa autoridade médica ou científica, em 21,6% dos casos, seguidas por medo e linguagem alarmista, em 17%. Dados ou estudos distorcidos aparecem em 15,7%, e soluções simplistas, em 12,6%.

As quatro estratégias têm em comum o uso de uma linguagem que imita o discurso científico para ganhar credibilidade.

Um dos maiores desafios da desinformação em saúde é se apropriar da linguagem de médicos e pesquisadores para parecer legítima.

Disse Cristina Tardáguila, fundadora da Agência Lupa, sobre o uso de linguagem científica para dar credibilidade a conteúdo falso.

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O que diz o relatório sobre vacinas

Antes da pandemia, entre 2017 e 2019, vacinas correspondiam a 9,1% das alegações falsas analisadas pela Lupa. A proporção subiu para 33,2% em 2020 e 2021, e chegou a 38,9% entre 2022 e 2024, no auge das teorias sobre chips e alterações genéticas.

De janeiro de 2025 a junho de 2026, a proporção caiu para 20%, mas segue acima do nível pré-pandemia. Das 244 alegações sobre vacinas analisadas no período total, 212 (86,9%) foram classificadas como falsas.

Um estudo com 48 revisões científicas listou cinco estratégias eficazes contra a hesitação vacinal, publicado neste mês. A política lidera a lista de temas mais associados a fake news no Brasil, segundo outro levantamento.

O que acontece agora

O WhatsApp concentra mais de 70% dos casos de desinformação em saúde identificados pela Lupa, seguido pelo Facebook, com 25,3%, e o Instagram, com 7% (a mesma publicação pode circular em mais de uma rede).

"Os profissionais de saúde agora precisam ajudar os pacientes a navegar pelo excesso de informação, muita delas sem embasamento científico", afirmou Gustavo Meirelles, vice-presidente da Afya.