A tarifa de até 37,5% que os Estados Unidos aplicam a parte das exportações brasileiras será um dos primeiros desafios do presidente eleito em 2026. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao 2º turno, neste domingo (25), com estratégias opostas para lidar com Washington.

Segundo nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as sobretaxas anunciadas pelos EUA em julho alcançam 23,1% das exportações brasileiras ao país. Uma parcela de 16,5% das vendas, equivalente a US$ 6,6 bilhões, paga a tarifa acumulada de 37,5%.

Entram na lista máquinas, madeira, calçados, móveis e confecções. O Brasil recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) em 27 de julho, pedindo consultas por entender que as tarifas são incompatíveis com compromissos internacionais dos EUA.

Em setembro, Brasil e EUA concordaram em criar um grupo de trabalho para negociar o tarifaço. No mesmo mês, os EUA impediram a China de participar da consulta brasileira na OMC.

O que cada plano promete para os EUA

O plano de Lula aposta na autonomia e na diversificação de parceiros. O documento registrado no TSE defende o fortalecimento do Mercosul e do Sul Global e a articulação do comércio exterior com a política industrial.

O texto também cita reformas na OMC, no FMI e no Banco Mundial para dar tratamento mais justo a países em desenvolvimento.

Já o plano de Flávio promete buscar soluções diplomáticas para as sanções dos EUA, da China e da Europa. O texto não cita Donald Trump nem usa a palavra "tarifaço".

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O candidato chegou a enviar carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, pedindo que empresas brasileiras não fossem taxadas.

"A principal diferença entre os cenários Lula e Flávio estaria na abordagem diplomática, um governo Lula tenderia a enfatizar a autonomia estratégica brasileira e o diálogo com diferentes polos de poder", afirma Jarbas Thaunahy, professor de finanças da Strong Business School.

"Um eventual governo Flávio Bolsonaro poderia buscar maior proximidade política com Donald Trump", completa o professor. "Mas é importante separar intenção de resultado."

"Ter afinidade com Washington pode facilitar o diálogo, mas não garante tarifas menores, novos investimentos ou acesso privilegiado ao mercado americano", diz Thaunahy.

Levantamento de propostas públicas e do entorno de Flávio mostra que as posições defendidas por ele coincidem com 16 das 21 exigências que o governo Trump apresentou ao Brasil nas negociações tarifárias.

Entre elas estão críticas ao Mercosul e a defesa de um acordo bilateral direto com Washington. O plano econômico de Flávio também prevê corte de dez ministérios e R$ 900 bilhões em infraestrutura.

O que acontece agora

O grupo de trabalho criado em setembro segue sem data para apresentar uma proposta de redução das tarifas. Uma nova disputa formal do Brasil na OMC depende da avaliação do Itamaraty sobre as negociações bilaterais.

O resultado do 2º turno também pode pesar no tom da negociação: Flávio venceu o 1º turno em 18 das 20 cidades mais afetadas pelo tarifaço. O desenho final da política tarifária só deve ficar claro após a posse, em janeiro de 2027.