O petróleo do tipo Brent chegou a US$ 111,99 o barril nesta terça-feira (20), a maior cotação desde 18 de maio, quando a commodity bateu US$ 112,72. A alta segue ataques houthis a alvos sauditas e um petroleiro atingido por mina no Estreito de Ormuz.

É a rota por onde passa boa parte do petróleo do mundo.

Segundo o Irã, por meio do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, o navio tentava passar por uma rota não autorizada ao sul do estreito quando atingiu o explosivo, provocando um incêndio na casa de máquinas.

No mesmo período, o Escritório de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) confirmou outro ataque a um tanque de petróleo na região, e a Arábia Saudita relatou ataque ao prédio administrativo da Aramco em Dhahran, sede da petroleira estatal.

Foi o segundo incidente do tipo em nove dias: em 10 de outubro, outro petroleiro já havia explodido ao bater numa mina na mesma rota.

Com os ataques, o fluxo diário por Ormuz caiu de 20 milhões para 8,5 milhões de barris.

Bjarne Schieldrop, analista do banco sueco SEB, avalia que o alívio recente nas exportações pode ser passageiro. Para ele, há risco de intensificação dos ataques antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.

O que muda no preço dos combustíveis no Brasil?

Com o Brent a US$ 111 no fechamento de segunda-feira (19), o preço de paridade de importação do diesel subiu para R$ 3,50 por litro, a apenas R$ 0,02 do subsídio que a Petrobras ainda pratica, segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

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A gasolina nas refinarias da Petrobras tem defasagem de 20%, ou R$ 0,43 por litro abaixo do preço praticado lá fora. Na refinaria de Mataripe, na Bahia, a diferença é menor: 44% no diesel e 11% na gasolina.

Os números mostram uma margem que está se estreitando. Quando o preço de paridade ultrapassa o subsídio, a Petrobras historicamente reajusta a bomba aos poucos, em vez de repassar o choque de uma vez.

Foi o que a estatal fez ao longo de 2026, mesmo em meio a sucessivos picos do Brent. Ainda assim, a alta do petróleo já tinha custado R$ 14 bilhões ao governo brasileiro em subsídios e perda de arrecadação em 2026.

A gasolina responde por 5,22% do IPCA, segundo levantamento de julho. Uma alta de 10% no preço da gasolina pressiona o índice em cerca de 0,52 ponto percentual.

O efeito se espalha pelo diesel, que encarece o frete da maioria dos produtos.

O que acontece agora

A Abicom alerta para o risco de falta de diesel em outubro, mês em que a demanda cresce com o plantio de grãos de verão e as refinarias brasileiras já operam perto do limite máximo de produção, segundo o presidente da entidade.

A demanda em outubro normalmente é maior que a de setembro, e as refinarias no Brasil não vão produzir mais em outubro do que produziram em setembro, porque já operam perto do limite máximo.

A fala é de Sérgio Araújo, presidente-executivo da Abicom. Para outubro, a entidade prevê importação de apenas 120 mil m³ de combustível, cerca de 75% via a própria Petrobras.

O petróleo acima de US$ 115 o barril mantém fechadas as janelas de importação que dariam folga ao mercado interno.

Mesmo com a defasagem nos combustíveis, a Petrobras bateu recorde de valor de mercado, a R$ 800 bilhões, impulsionada pelo próprio petróleo mais caro.

O próximo termômetro será o fechamento do Brent nesta semana. Se a cotação se mantiver acima de US$ 110, a pressão para um novo reajuste na bomba deve aumentar.