A Polícia Civil interditou nesta quarta-feira (21) os centros cirúrgicos de uma clínica de estética em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, investigada após a morte de três pacientes. Agentes da Delegacia do Consumidor (Decon) cumpriram quatro mandados de busca e apreensão.

A operação, batizada de "Por Elas", apura mais de 25 denúncias de pacientes. Segundo a Decon, uma mulher morreu durante cirurgia abdominal, após sofrer várias paradas cardíacas.

Outra paciente morreu depois de ficar dois meses internada por complicações do procedimento: ela teve uma infecção generalizada. Pelo menos 30 pessoas prestaram queixa contra o local.

Além das mortes, 24 mulheres relataram necrose, perda de tecidos, cicatrizes e deformações físicas permanentes após procedimentos estéticos na clínica.

O que a polícia encontrou na clínica?

A polícia identificou uma suposta atuação de profissionais sem habilitação para cirurgia plástica. Segundo a investigação, estudantes de pós-graduação realizavam os procedimentos sem supervisão médica e sem o conhecimento ou a autorização dos pacientes.

Um investigador da Decon disse à imprensa que a clínica fazia "utilização indevida" da mão de obra: "São alunos de curso de pós-graduação, especialização de cirurgia plástica, atuando aqui indevidamente."

Publicidade

Segundo ele, uma das pacientes que morreram foi atendida por um médico residente atuando como anestesista: "Isso é completamente proibido pelo Conselho Federal de Medicina, pois ele estava atuando sem o preceptor, sem um médico supervisor."

O uso de mão de obra sem habilitação em procedimentos invasivos é o centro da investigação sobre as mortes.

A unidade pertence ao grupo da Clínica Celita Toledo. A proprietária do grupo, Celita Toledo, é candidata a deputada federal pelo Republicanos no Rio.

Em nota, a defesa de Celita Toledo disse que "não cabe antecipar conclusões ou atribuir responsabilidades antes da conclusão das investigações" e afirmou respeito às autoridades e ao devido processo legal.

A clínica já havia sido alvo de outra operação policial em agosto, quando agentes encontraram produtos fora do prazo de validade no estabelecimento.

Casos semelhantes têm mobilizado a Justiça em outros estados. Em julho, uma clínica de Belo Horizonte enfrentou ação civil por riscos à saúde em procedimentos estéticos.

O Conselho Federal de Medicina também tem endurecido regras para procedimentos estéticos: em junho, a entidade proibiu o uso do preenchedor PMMA em consultórios de todo o país.

O que acontece agora

As 15 cirurgias plásticas marcadas para esta quarta foram canceladas, e a orientação da polícia é que os pacientes busquem ressarcimento na Justiça. As investigações continuam para apurar as circunstâncias das mortes e identificar responsáveis.