O Banco Popular da China (PBoC) manteve nesta terça-feira (20) suas taxas de referência: 3,0% ao ano para o prazo de um ano, e 3,5% para cinco anos. É a 17ª manutenção seguida, reflexo da cautela de Pequim com o crescimento chinês.
A manutenção já era esperada pelo mercado.
Uma pesquisa da Reuters com 22 participantes do setor financeiro apontou, por unanimidade, que o PBoC deixaria as taxas paradas nesta rodada.
Segundo o Valor Econômico, a China tem priorizado a expansão fiscal como estímulo à economia, em vez de novos cortes de juros. Um PIB robusto no terceiro trimestre reforçou, segundo a Reuters, que não há pressa por estímulo monetário adicional.
O que isso muda no bolso do agro brasileiro?
Juros estáveis na China tendem a sustentar a valorização do real: o diferencial com a Selic brasileira, hoje em 13,75% ao ano, atrai capital estrangeiro de curto prazo e encarece o dólar que o produtor recebe pela exportação.
Na prática, juros mais baixos lá fora tendem a deixar o real mais valorizado e a soja brasileira mais cara em dólar para o comprador chinês.
Segundo o Canal Rural, um ajuste chinês somado a juros altos e câmbio valorizado cria ambiente adverso para quem exporta commodities. A China também pode usar salvaguardas e barreiras técnicas para proteger sua produção, e o Brasil costuma estar na linha de frente dessas medidas.
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As exportações do Brasil à China somaram US$ 58,3 bilhões no 1º semestre, alta de 22% e recorde, segundo o Canal Rural. O superávit com a China, de US$ 19,8 bilhões, respondeu por 47% do saldo positivo do Brasil no semestre.
A relação comercial segue em ritmo forte: em setembro, o comércio entre os dois países bateu recorde de US$ 143 bilhões em nove meses, o que amplia o peso de qualquer mudança na política econômica chinesa sobre o Brasil.
No setor da carne bovina, a pressa para exportar à China já pressiona a arroba do boi, sinal de como decisões tomadas em Pequim repercutem rápido no mercado interno brasileiro.
O PIB chinês acelerou a 4,5% no trimestre, puxado por exportações recordes, dado que ajuda a explicar por que o banco central chinês não sentiu urgência em cortar juros agora.
O que acontece agora
A próxima decisão do PBoC está prevista para 20 de novembro. No Brasil, o Copom volta a se reunir em 4 de novembro. Os dois calendários somados mostram se o diferencial de juros entre Brasil e China vai aumentar ou encolher nas próximas semanas.





























