A Polícia Militar resgatou um bebê de 3 meses em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, depois que a mãe da criança ligou para o 190 e simulou um pedido de pizza, código usado por vítimas de violência doméstica para pedir socorro.
"Polícia Militar, emergência!", diz um policial na ligação. "É da pizzaria?", simula a mulher. "Tá tudo bem aí?", questiona o policial. "Não. Eu gostaria de fazer o pedido", continua ela, que informa o endereço e pede para avisarem por telefone antes de chegar.
A ligação aconteceu na noite de domingo (18), e a ação foi registrada pelas câmeras corporais dos policiais que foram até o endereço.
No local, a equipe abordou um homem que se apresentou como pai da criança. Ele foi detido com algemas e levado à Delegacia de Defesa da Mulher de São Bernardo do Campo.
O bebê foi devolvido à mãe. Segundo ela, o ex-companheiro levou o filho do casal para o imóvel depois de fazer ameaças. O nome dos dois não foi divulgado, para não identificar a criança.
A senha da pizza não nasceu em São Bernardo do Campo. É um código informal que se espalhou pelo país nos últimos anos, depois que casos como esse ganharam repercussão.
Publicidade
Pedir pizza, hambúrguer ou açaí por um número de emergência é o sinal combinado: o atendente segue a conversa como se fosse um pedido real, pergunta endereço e detalhes, e aciona a viatura sem que quem está perto da vítima perceba do que se trata.
O método existe porque a violência dentro de casa resiste a cair, mesmo quando a violência letal contra mulheres recua. Em 2024, o Brasil teve 3.642 homicídios de mulheres, a menor taxa desde 2014.
Mas essa queda veio de fora de casa. Os homicídios fora do ambiente doméstico caíram de 3,5 para 2,2 por 100 mil mulheres na década, enquanto os cometidos dentro de casa ficaram estáveis, segundo o Atlas da Violência 2026.
O mesmo levantamento mostra que 293.842 casos de violência contra mulheres foram notificados ao sistema de saúde em 2024, 64% deles em contexto doméstico. E 66,2% das mulheres atendidas já haviam sofrido agressão semelhante antes, sinal de um ciclo que se repete.
É nesse ciclo que um código de telefone vira ferramenta de sobrevivência: driblar quem está no mesmo cômodo sem precisar dizer em voz alta o que está acontecendo. Outras ferramentas de proteção seguem o mesmo caminho: discrição.





























