Um estudo publicado na revista científica ScienceDirect encontrou 341 ossos de cães em Castillo de Huarmey, um centro cerimonial do Império Wari (600-1050 d.C.), no Peru. Os pesquisadores identificaram pelo menos 20 animais, com funções que iam da caça à companhia.

A presença dos cães no local é sustentada por três linhas de evidência. A primeira, artística, é a menos abundante: entre as oferendas funerárias de uma tumba de elite intacta e de sepultamentos de artesãos, só uma peça representava um cão.

Vista aérea da escavação arqueológica de Castillo de Huarmey, no Peru, com estrutura de cobertura sobre as ruínas
Sítio arqueológico de Castillo de Huarmey, no Peru — Foto: M. Giersz/Wikimedia Commons

Era uma efígie antropomorfizada da raça antiga Pelado Peruano sentado, segurando um objeto parecido com um instrumento musical.

A segunda linha de evidência são marcas de mordidas caninas, escassas mas disseminadas, observadas em 58 espécimes de camelídeos encontrados no sítio. A terceira e mais direta evidência são os próprios restos mortais dos cães.

O que os ossos revelam sobre esses cães?

Os 341 ossos analisados permitiram identificar ao menos 20 indivíduos com funções diversas: cães de caça, pastores, companheiros e necrófagos. Três deles foram provisoriamente identificados como da raça Pelado Peruano.

As análises mostram que os animais acompanhavam os humanos em rotinas cotidianas e se deslocavam junto com camelídeos. Se fossem Pelados Peruanos, podem ter sido companheiros que receberam cuidados próximos ainda filhotes.

O padrão alimentar encontrado nos filhotes dessa raça, semelhante à ingestão de plantas C4 por crianças da época, pode indicar um sistema organizado de criação de cães anterior à chegada dos Wari à região da costa norte peruana.