O analista Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, afirma que a arroba do boi pode "explodir" de preço até dezembro sem controle das exportações à China. O alerta vem da pressa de frigoríficos para embarcar carne ao país asiático até o fim do ano.
Segundo Iglesias, a estratégia mais provável do setor é concentrar o abate em outubro e embarcar até 400 mil toneladas em novembro e dezembro, para que a carga chegue à China na cota de 2027. O movimento pressiona a oferta no fim do ano.

Por que a cota da China aperta o mercado
A China limita as exportações brasileiras sem a tarifa mais alta a uma cota de 1,1 milhão de toneladas em 2026. Acima desse volume, a carne embarcada para o país segue pagando tarifa de 55%, o que já reduziu o ritmo de vendas.
Roberto Perosa, presidente da Abiec, diz que o Brasil deve fechar 2026 com cerca de 900 mil toneladas exportadas à China, quase metade das 1,68 milhão de toneladas embarcadas em 2025, recorde da série. A entidade estima perda de até US$ 4,5 bilhões de faturamento.
É a corrida pelo que resta da cota que pressiona o preço agora.
A tarifa de 55% já havia subido em etapas anteriores da disputa comercial entre Brasil e China. Perosa defende que o consumo interno brasileiro precisa crescer para absorver o volume que não será exportado ao país asiático.
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O que acontece agora
Iglesias defende a criação de um sistema de gestão de cotas para evitar que o mercado concentre embarques no fim do ano e pressione o preço do boi de forma abrupta.
A arroba do boi gordo já havia batido recorde e se aproximado de R$ 400 no início de outubro, em meio à oferta mais restrita de animais. O desfecho da safra de abate deve indicar se o aperto previsto pelo analista se confirma.





























