Um telefonema recebido um mês antes da pandemia, em fevereiro de 2020, revelou ao empresário Ricardo Teagano, único sobrevivente entre os passageiros do voo 820 da Varig, de 1973, uma ligação direta entre o acidente e a família de um desconhecido que tinha o mesmo nome que ele.
Teagano contou que um homem paulistano, radicado havia mais de 20 anos nos Estados Unidos, ligou para contar algo que ele não sabia sobre a época do acidente.
"Tem uma coisa que eu queria falar pra você que você não sabe que aconteceu na época de seu acidente", relatou o homem, segundo Teagano reproduziu na entrevista.
Duas pessoas que perderam o voo por atraso
O homem disse conhecer duas pessoas que tentaram embarcar no mesmo voo, mas chegaram atrasadas à conexão em São Paulo. "Eu conheço duas pessoas que iam pegar o seu voo na última hora e não puderam pegar", contou Teagano, repetindo a fala do interlocutor.
Segundo o relato, a dupla perdeu a ponte aérea que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro, de onde partiria o voo internacional, e acabou realocada pela Varig em outro voo da noite, sem escala em Paris.
A ligação entre as duas histórias
Na ligação, o homem revelou quem eram as duas passageiras. "Ricardo, essas duas pessoas que eu queria falar pra você, uma era minha tia e a outra minha mãe, que estava grávida de mim", contou Teagano, repetindo as palavras do homem.
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"Colocou o nome de Ricardo em sua homenagem", completou, sobre o motivo de o interlocutor se chamar como ele.
O homem acrescentou um detalhe que ligava diretamente as duas famílias. Os dois lugares vagos ao lado de Teagano durante o voo, já mencionados em outros relatos dele sobre o acidente, eram reservados justamente para a mãe grávida e a tia do homem.
"Talvez eu não saísse, classe econômica apertada pra me importunar a sua mãe que estava grávida", refletiu Teagano, sobre o momento em que se levantou para ir à frente do avião, pouco antes do incêndio.
"E se eu não saísse, ficasse ali mais um minuto, eu não estaria aqui pra contar essa história", completou, sobre o peso daquela decisão tomada em segundos.
Ao encerrar o relato, Teagano resumiu como enxerga esse tipo de coincidência. "Eu digo sempre que o destino embaralha as cartas, mas somos nós que jogamos", disse, defendendo que as escolhas de cada um pesam tanto quanto o acaso.


































