A Justiça Eleitoral do Espírito Santo afastou nesta segunda-feira (19) o prefeito de Baixo Guandu, Lastênio Cardoso (MDB), suspeito de coação eleitoral. A Polícia Federal investiga se ele pressionou servidores municipais a votar em um candidato ao governo do estado.

A suspeita nasceu de um vídeo publicado nas redes sociais em 10 de outubro e apagado horas depois. Nele, o prefeito ligou a derrota do governador Ricardo Ferraço, candidato à reeleição, à demissão de cerca de 700 servidores da prefeitura.

"Caso o nosso governador Ricardo Ferraço não vença as eleições, nós teremos uma consequência muito grande em Baixo Guandu. [...] A prefeitura vai ter que demitir, talvez, umas 700 pessoas", afirmou Lastênio no vídeo.

Eleitores conferem lista de locais de votação em mural de prédio público
Eleitores conferem local de votação para o 2º turno de 2026. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

No mesmo vídeo, o prefeito pediu votos para Ferraço e disse que obras na cidade e o transporte escolar também poderiam ser afetados se o governador perdesse a eleição.

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A Polícia Federal batizou a investigação de Operação 1932, em referência ao Código Eleitoral daquele ano, que criou a Justiça Eleitoral e o voto secreto no Brasil.

Os agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão em Baixo Guandu, além de uma busca pessoal, e apreenderam material de campanha que será analisado.

Com autorização do TRE-ES e parecer favorável da Procuradoria Regional Eleitoral, a Justiça determinou o afastamento do prefeito por 30 dias e o proibiu de entrar nas dependências da própria prefeitura.

Segundo a Polícia Federal, os fatos apurados se encaixam nos crimes de coação eleitoral por servidor público e uso de serviço público em benefício de organização política, previstos no Código Eleitoral. O processo corre sob sigilo.

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Até a divulgação do caso, Lastênio não havia se manifestado publicamente. Ele informou apenas que falaria sobre a operação nesta terça-feira (20).

O que acontece agora

Ferraço disputa o governo do Espírito Santo com Lorenzo Pazolini (Republicanos), que liderou o primeiro turno.

O 2º turno em seis estados, incluindo o ES, acontece no domingo (25). O afastamento de Lastênio vale enquanto durar a investigação, e o prefeito pode recorrer da decisão.