O empresário Ricardo Teagano, único sobrevivente entre os passageiros do voo 820 da Varig, que pegou fogo em 1973, começou a dar palestras sobre a própria história só aos 65 anos de idade. O convite para o primeiro evento veio por acaso, de um amigo que o chamou para falar no lançamento de uma revista.
"Eu fui começar a fazer palestras aos 65 anos de idade", contou Teagano, sobre o início tardio de uma atividade que hoje ocupa boa parte da sua rotina.
O convite que ele quase recusou
O amigo Daniel Simão, ligado à revista Ernesto, chamou Teagano para o lançamento de uma edição em São Paulo e pediu que ele desse um depoimento ao público. "Não Ricardo, a gente quer que você vá e faça uma palestra", relatou Teagano sobre o convite.
Ele resistiu de início, com medo de não saber controlar a própria reação diante de uma plateia. "Não sei como vai ser minha reação, por favor, não quero ir não", disse ter respondido ao amigo.
Teagano só aceitou quando soube do horário do evento, um domingo às 10h da manhã, quando imaginava que quase ninguém apareceria. "Eu falei 10h da manhã no domingo, eu vou", recordou.
O rapaz que o fez decidir falar disso para sempre
Sem roteiro escrito, Teagano chegou ao evento e encontrou cerca de 200 pessoas, a maioria jovens entre 20 e 25 anos. Daniel havia pedido 30 minutos de fala; ele usou o tempo todo, relatando pela primeira vez em público os detalhes do acidente.
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Ao fim, um jovem da plateia se aproximou e contou que também tinha sobrevivido a um acidente, de ônibus interestadual, meses antes.
"Pô Ricardo, eu sofri um acidente de ônibus interestadual alguns meses atrás, algumas pessoas morreram. Mas toda noite eu vou dormir pensando nesse acidente, e hoje à noite eu não vou pensar mais nesse acidente", contou Teagano, reproduzindo a fala do rapaz.
O relato do jovem foi o que convenceu Teagano a seguir palestrando. "Cara, se eu tô ajudando que seja uma pessoa, eu quero fazer isso pro resto da minha vida", afirmou, sobre a decisão tomada naquele mesmo dia.
Teagano relaciona aquele primeiro depoimento com a descoberta de um propósito de vida. "Eu percebi que eu tinha uma missão, um propósito de vida", disse, sobre o que considera ter sido o início de uma nova fase, décadas depois do acidente.
Desde então, Teagano diz já ter feito uma palestra TED e segue dando palestras para empresas e eventos abertos ao público, além de atender pacientes em consultório.


































