Os mecanismos de defesa comercial usados pela América Latina contra o aço chinês são lentos demais para impedir o avanço das importações subsidiadas, afirmou nesta terça-feira (29) o professor da UFU Germano de Paula, especialista em siderurgia, no Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo.

Segundo Paula, um processo de defesa comercial leva cerca de 400 dias na região, quase o dobro dos 250 dias do Canadá. O atraso deixa a indústria exposta a um concorrente que vende a preços artificialmente baixos.

"Não adianta combater o incêndio depois que a casa já está toda incendiada", disse Paula.

Um estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostra que a China subsidia o aço dez vezes mais por tonelada que o resto do mundo.

Paula mapeou as 20 maiores siderúrgicas chinesas listadas em bolsa. Todas registraram subsídio recorrente nos anos com dado disponível.

Quanto o aço chinês já ocupa do mercado brasileiro?

O aço importado já responde por 19% do mercado brasileiro, quase o dobro do patamar histórico de 10%. O dado é do Instituto Aço Brasil, apresentado por seu vice-presidente, Jorge Oliveira, no mesmo Congresso Aço Brasil 2026.

O volume importado em 2025 chegou a 5,7 milhões de toneladas, ante média de 2,2 milhões nos vinte anos anteriores à pandemia.

O salto foi de mais de 150% em um ano. O setor projeta US$ 11 bilhões em investimentos nos próximos quatro anos, mas condiciona o valor a uma redução da penetração de importados ao patamar histórico de 10%.

O aperto ocorre em duas frentes. Enquanto o setor cobra mais agilidade contra o aço chinês, as exportações brasileiras seguem taxadas em 50% pelos Estados Unidos, e o governo só espera negociar redução depois do período eleitoral no Brasil.

Na mesma abertura do Congresso Aço Brasil, Alckmin defendeu manter o gas release. O programa obriga a Petrobras a vender parte do gás natural para baratear o insumo à indústria.

O padrão de importação asiática subsidiada não é exclusivo do aço. É o mesmo mecanismo que já levou outros setores a pedir proteção ao governo.

A indústria de papel sulfite também pediu alíquota mais alta ao governo depois de a importação da Ásia saltar 160% em um ano.