O ex-embaixador do México na China Jorge Guajardo disse nesta terça-feira (29), no Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo, que as importações chinesas ameaçam empregos na indústria brasileira e defendeu que o Brasil erga barreiras comerciais contra produtos vindos da Ásia.
Guajardo representou o México na China entre 2007 e 2013 e avalia que a política industrial do governo de Xi Jinping ameaça a indústria de diversos países. Segundo ele, a China estimula a manufatura mesmo sem mercado interno suficiente para absorver toda a produção.
"Eles estão praticamente produzindo para exportar para o resto do mundo. E estão exportando em quantidades tais que isso pode ser uma ameaça para as nossas indústrias se simplesmente deixarmos as nossas portas abertas", disse o ex-embaixador.
Guajardo usou o setor automotivo como exemplo. A China produzia 1 milhão de carros em 2020 e deve chegar a 12 milhões em 2026, praticamente o tamanho de todo o mercado europeu, hoje de 11 milhões de veículos.
As importações chinesas ameaçam os empregos brasileiros, sem dúvida. Se deixarmos as portas abertas, esses carros produzidos na China que estão sendo exportados vão gerar desemprego no Brasil.
"Não há uma única indústria em que eu consiga pensar que competiria com sucesso com a China", afirmou, defendendo que os países imponham o quanto antes barreiras às importações chinesas, como tarifas e novas regulações.
O que o Brasil já fez para se proteger
O Brasil já ergueu barreiras contra o aço chinês nos últimos anos. Segundo o Instituto Aço Brasil, as importações do produto caíram 17,6% no primeiro semestre de 2026 ante igual período de 2025, para 2,9 milhões de toneladas.
O sistema de cotas tarifárias para 19 tipos de produtos de aço foi renovado em junho para vigorar até 2027, com tarifa de 25% acima do limite liberado.
O país também aplica direitos antidumping sobre laminados a frio e revestidos e sobre aço pré-pintado de origem chinesa e indiana.
As importações voltaram a subir em junho, para 476 mil toneladas, alta de 52,4% ante maio.
O alerta de Guajardo chega dias depois de a China registrar recorde de exportações e ampliar a pressão sobre a indústria brasileira, como este portal informou na semana passada.
A pressão chinesa se soma à disputa comercial com os Estados Unidos. Nesta mesma terça, o governo brasileiro admitiu apostar em um acordo com os EUA somente após a eleição, enquanto o aço nacional segue taxado a 50% lá fora.





























