Comerciantes renomearam mais de US$ 1 bilhão em petróleo venezuelano como petróleo brasileiro no último ano, driblando as sanções dos Estados Unidos à Venezuela. A informação é de reportagem da Reuters, com base em rastreadores de petroleiros e relatos de traders.
Desde julho de 2024, operadores relabelam o petróleo como originário do Brasil. A prática permite que os petroleiros sigam direto da Venezuela à China sem escala em águas da Malásia, encurtando a viagem em cerca de quatro dias.
Mais recentemente, segundo a Reuters, embarcações adulteraram o sinal de localização por satélite para simular a saída de portos brasileiros.
A identificação partiu de duas empresas de rastreamento marítimo, a TankerTrackers.com e a Vortexa Analytics, que cruzaram sinais de satélite dos navios com documentos comerciais e relatos de traders.
Como o petróleo muda de origem?
A troca começa com um novo certificado de origem emitido para a carga, sem qualquer transbordo físico entre navios. Documentos comerciais passam a registrar o petróleo como brasileiro, sustentando essa versão perante compradores e autoridades.
Um exemplo citado pela Reuters é o petroleiro Karina, de bandeira da Libéria, que carregou 1,8 milhão de barris em fevereiro deste ano sob a origem falsa. A descarga ocorreu em abril, no porto chinês de Yangpu.
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Entre julho de 2024 e março de 2025, a China importou US$ 1,2 bilhão em betume atribuído ao Brasil, a 67 mil barris por dia.
O volume é pequeno perto da produção do país. Em abril, o Brasil bateu recorde de extração, puxado pelo pré-sal.
O Brasil é um dos maiores parceiros comerciais da China. Em 2025, a corrente de comércio entre os dois países bateu recorde de US$ 171 bilhões, segundo dados oficiais do comércio exterior.
O que dizem Brasil e Petrobras?
O governo brasileiro, a estatal venezuelana PDVSA, o Ministério do Petróleo da Venezuela e a alfândega chinesa não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.
O CEO da Petrobras disse à Reuters que a estatal exporta principalmente petróleo do pré-sal, não o betume misto encontrado nas remessas suspeitas.
O esquema de rotulagem ocorre em meio à disputa dos Estados Unidos pelo controle do petróleo venezuelano. Em agosto, a Venezuela confirmou acordo com o governo americano para retomar exportações de petróleo, movimento que o Brasil tentou evitar.
As sanções dos Estados Unidos à Venezuela estão em vigor desde 2019.
O objetivo declarado é reduzir a receita de exportação de petróleo que financia o governo de Nicolás Maduro, mas a rotulagem falsa mostra que parte do fluxo segue chegando ao maior comprador do produto, a China.





























