A tarifa adicional de 25% que os Estados Unidos aplicaram a cerca de 3.000 produtos brasileiros, no fim de julho, fez o Mercosul priorizar um acordo comercial com a China. Lula (PT) e Xi Jinping trataram do tema por telefone no mesmo período.
Na ligação, os dois líderes concordaram sobre a importância de acelerar as tratativas para um acordo Mercosul-China que contemple "as flexibilidades necessárias", informou o Planalto.
O Brasil concentra quase 90% das exportações do bloco para fora do Mercosul.
Os números explicam a prioridade. Em 2025, a China respondeu por 28% do comércio exterior do Mercosul, quase o dobro dos 17% da União Europeia. O bloco exportou US$ 111,5 bilhões e importou US$ 96,4 bilhões no mesmo ano.
Por que o Paraguai pode travar o acordo?
O Paraguai mantém relações diplomáticas com Taiwan, território que Pequim reivindica como seu, e qualquer acordo do Mercosul com a China precisa do consenso dos quatro sócios plenos do bloco. É o obstáculo mais concreto para fechar o pacto.
O Uruguai, por outro lado, pressiona por uma atualização do "Mecanismo de Diálogo" que o bloco mantém com a China.
O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, disse que a força de trabalho de negociação do país vai se concentrar em parceiros que mostrem compromisso real, depois que a aprovação final do acordo Mercosul-União Europeia foi adiada por três semanas, para janeiro.
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A China já havia sinalizado a direção. Um documento oficial de Pequim, do fim de 2025, apontou o objetivo de ampliar a cooperação econômica com a América Latina para além do comércio: inteligência artificial, satélites, processamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.
Na mesma conversa de julho, Lula e Xi também discutiram vistos. A isenção para visitas de curta duração entre os dois países está em vigor desde maio de 2026, no mesmo ano em que Brasil e China promovem o Ano Cultural bilateral.
O que acontece agora
Não há data marcada para o início formal das negociações entre Mercosul e China. O bloco negocia simultaneamente com outros 11 países e blocos, entre eles Emirados Árabes Unidos, Japão, Canadá e Reino Unido, segundo o chanceler Mauro Vieira.
O encontro anterior entre Celso Amorim e Xi Jinping, em setembro, já havia tratado da relação bilateral em meio às críticas à ingerência dos EUA na região.
A tarifa que motivou a virada de prioridade é a mesma que, em julho, chegou a atingir US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras.
O precedente recente do bloco é o acordo Mercosul-União Europeia, fechado após 26 anos de negociação. Ele mostra que o bloco consegue fechar pactos complexos, mas também que o processo é lento.





























