A União Europeia e a China fecharam nesta sexta-feira (9), em Pequim, um entendimento para reduzir em mais da metade as exportações chinesas de híbridos e híbridos plug-in ao bloco europeu em quatro anos, após negociações lideradas pelo comissário europeu Maros Sefcovic.

Segundo Sefcovic, o entendimento deve moderar as exportações chinesas e cortar as importações europeias em vários milhões de carros ao longo do período. O déficit comercial da União Europeia com a China chegou a mais de 1 bilhão de euros por dia no ano passado.

Estamos longe do final, mas demos um importante primeiro passo

Disse Sefcovic a jornalistas, resumindo o estágio do acordo: ele ainda depende da aprovação dos líderes dos Estados-membros da UE, e as equipes técnicas seguem negociando os detalhes de preço.

Do lado chinês, o ministro Wang Wentao disse a Sefcovic que a China não era a causa fundamental dos problemas da UE, mas uma parceira na busca de soluções, segundo o Ministério do Comércio chinês.

Os dois lados também combinaram facilitar o acesso de produtos europeus ao mercado chinês e agilizar licenças chinesas para exportação de terras raras e ímãs permanentes, os mesmos insumos que puseram o Sul de Minas no centro de uma disputa global por terras raras.

O que acontece agora

O próximo passo é político: os líderes dos 27 países da UE ainda precisam aprovar o entendimento para que ele vire regra. As equipes técnicas de Bruxelas e Pequim seguem negociando preço mínimo e calendário de corte.

A pressa europeia tem explicação em números. As importações de híbridos plug-in pela UE cresceram 86% em um ano, até setembro, enquanto o preço médio caiu 20%. A China já responde por mais da metade dessas importações, ante 30% em valor em 2025.

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O caminho europeu foi a negociação. O brasileiro foi a tarifa.

Desde 1º de julho de 2026, o Brasil cobra 35% de imposto de importação sobre híbridos, híbridos plug-in e elétricos totalmente montados vindos de fora.

Por aqui, a disputa pelo mesmo mercado já tem protagonistas. A BYD domina o segmento de eletrificados com o Dolphin G, híbrido flex fabricado no Brasil, enquanto a GWM monta localmente o Haval H6 para fugir da tarifa.

A chegada em massa de carros chineses já tinha efeito visível nas lojas antes da tarifa subir. Em agosto, o avanço da oferta chinesa chegou a derrubar o preço do carro 0 km no Brasil pela primeira vez em seis anos.

Resta saber se o entendimento com a UE vai esfriar essa oferta também em mercados como o brasileiro, à medida que a China tiver menos espaço para escoar o excedente na Europa.