O IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,58% em setembro, passando o teto de 4,5% perseguido pelo Banco Central. O índice subiu 0,82% no mês, puxado pelo fim de um desconto na conta de luz, acima dos 0,73% esperados pelo mercado.
O teto faz parte do sistema de metas do BC: o centro é 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Segundo essa régua, a meta só é considerada descumprida se o IPCA ficar fora da banda por seis meses seguidos.
O principal responsável pela alta foi o fim da incorporação do Bônus de Itaipu, desconto que havia derrubado a conta de luz em agosto. Sem ele, a energia elétrica residencial subiu 7,98% em setembro, maior impacto individual do mês.
A bandeira tarifária amarela segue em vigor, somando R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Reajustes locais também pesaram: tarifas subiram 6,63% em Belém, 5,42% em São Luís e 6,89% em Vitória.
O grupo Alimentação e bebidas voltou a subir, 0,83%, depois de três recuos seguidos. O tomate encareceu 37,76% e a batata-inglesa, 24,07%, enquanto passagens aéreas tiveram alta de 9,66% no mês.
Os números acima mostram o aperto duplo que o Banco Central enfrenta: a inflação corrente já furou o teto da meta, e o mercado financeiro elevou a projeção de inflação pela terceira semana seguida, para 5,01% até dezembro.
A alta reverte o alívio de agosto, quando os preços caíram 0,32%, a maior deflação em quatro anos, efeito do mesmo bônus na conta de luz que agora saiu do cálculo.
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A Selic está em 13,75% ao ano, depois de cinco cortes seguidos de 0,25 ponto percentual em 2026. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente em 4 de novembro para decidir os próximos passos da taxa básica de juros.
Economistas também citam o El Niño como risco para o segundo semestre: o fenômeno climático altera a distribuição de chuvas e pode pressionar ainda mais os preços de alimentos e de energia nos próximos meses.
O que acontece agora
O Copom decide a Selic em 4 de novembro, com o mercado já projetando inflação acima do teto da meta para o fim do ano.
Pela regra do Banco Central, a meta só é oficialmente descumprida se o IPCA ficar fora da banda de tolerância por seis meses seguidos, contagem que recomeçou neste mês.
O ponto em aberto
O IPCA furou o teto num mês em que o próprio Banco Central já havia cortado a Selic cinco vezes seguidas em 2026.
Com o mercado revisando a projeção de inflação para cima pela terceira semana consecutiva, a pergunta que fica para o Copom de novembro é até onde os cortes de juros podem continuar nesse cenário.





























