O Brasil e a China ficaram fora da declaração do G20 contra a superprodução industrial, divulgada nesta quarta-feira (7). Também não assinaram Indonésia, Rússia e Arábia Saudita. O texto, liderado pelos Estados Unidos, cobra compromissos sobre capacidade ociosa em setores industriais estratégicos.
Catorze economias se juntaram aos Estados Unidos no documento, segundo a USTR. Entre elas estão Argentina, Austrália, Canadá, União Europeia, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Coreia do Sul, México, Polônia, Turquia e Reino Unido. O Brasil não está na lista.
O texto foi firmado à margem do Comitê de Comércio da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Washington.
Por que a divisão foi tão estreita
A divergência reflete a disputa sobre o que Washington chama de "capacidade excedente" na indústria, tema central das reuniões do G20 lideradas pelos Estados Unidos neste ano. O tema ganhou força em meio à disputa comercial mais ampla entre os dois países.
No mesmo período, o governo Trump aplicou tarifas de 10% a 12,5% a 59 países, citando fiscalização insuficiente contra o trabalho forçado nas cadeias de suprimento.
Se não forem enfrentados, esses problemas vão continuar a prejudicar as indústrias domésticas, deslocar a produção local e dificultar nossa capacidade de elevar o padrão de vida.
A frase é do embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos.
A China nega que suas políticas industriais causem excesso de capacidade. Segundo a AFP, o país acusa os países ocidentais de usar o argumento para justificar barreiras protecionistas.
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Pequim já havia rejeitado texto semelhante do G20 sobre trabalho forçado um mês antes, em reunião de líderes financeiros em Asheville, na Carolina do Norte. O episódio antecedeu a trégua comercial que China e Estados Unidos fecharam até janeiro de 2027.
O impasse não é o primeiro sinal de divisão nas reuniões de comércio do G20 deste ano. Em outra frente, um grupo de países já havia resistido à cobrança dos Estados Unidos na reunião de ministros em Milwaukee, no início de outubro.
Na ocasião, o USTR ainda não informava os nomes dos países resistentes. A declaração desta quarta-feira é a primeira a confirmar oficialmente quem ficou de fora.
Para o Brasil, o episódio ocorre em meio a outra frente de atrito comercial com Washington. Desde setembro, os dois países negociam uma saída para o tarifaço de 37,5% sobre produtos brasileiros, por meio de um grupo de trabalho criado no G20 de Milwaukee.
O Brasil negocia a redução do tarifaço com os Estados Unidos ao mesmo tempo em que diverge do país na mesa do G20 sobre capacidade industrial.
O que acontece agora
A USTR informou que vai levar a discussão sobre capacidade industrial ao Comitê de Comércio da OCDE, em Paris, fora da estrutura principal do G20. Não há prazo definido nem sanção prevista para quem não assinou o texto.





























