Os Estados Unidos compraram 44,44 mil toneladas de carne bovina in natura do Brasil em setembro, recorde histórico, segundo a Secex. O volume superou a marca anterior, de abril de 2025, impulsionado pela isenção de tarifa concedida pelo presidente americano Donald Trump.

Somando a carne processada e industrializada, o total embarcado aos Estados Unidos em setembro chega a 48,3 mil toneladas. As exportações ao mercado americano sobem pelo quarto mês seguido, e o salto de agosto para setembro foi de 41,8%.

Trump anunciou, em 21 de agosto, a isenção temporária de tarifa para até 300 mil toneladas de carne bovina importada, válida por 90 dias. A medida buscava conter a alta no preço da carne moída no mercado americano.

Segundo a Gazeta do Povo, o Brasil já estava isento do imposto sobre a carne bovina desde a imposição do tarifaço sobre outros produtos brasileiros, em agosto.

"No acumulado de 2026, as 317,4 mil toneladas de carne in natura e processada enviadas aos EUA representam alta de 45%. É um mercado importante, com uma demanda específica", afirma Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Para Perosa, o movimento reforça a importância de o setor manter diferentes destinos disponíveis para a carne brasileira. O recorde aos Estados Unidos não compensou, porém, o tombo nas vendas para a China. O total exportado pelo Brasil caiu no mês.

Ao todo, as exportações brasileiras somaram 229,3 mil toneladas em setembro, queda de 35,1% ante as 353,1 mil toneladas de 2025. A China, maior compradora histórica, esgotou a cota de 1,1 milhão de toneladas dentro da salvaguarda adotada por Pequim.

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Em setembro, os chineses compraram apenas 12,9 mil toneladas, gerando US$ 75,2 milhões em faturamento. As quedas foram de 93,2% em volume e de 92,9% em valor na comparação com o mesmo mês de 2025.

A tarifa chinesa sobre a carne brasileira subiu a 67% nesta semana.

O faturamento total de setembro também recuou, para US$ 1,38 bilhão, ante US$ 1,90 bilhão no mesmo mês de 2025, queda de 27,6%. O valor da tonelada subiu no mercado internacional, o que suaviza a queda na receita frente à queda no volume.

O especialista em mercado pecuário Hyberville Neto, da consultoria HN Agro, pondera que a comparação anual usa como base os embarques recordes registrados em 2025, o que amplia o tamanho da queda percentual deste ano.

O que acontece agora

A isenção de tarifa concedida por Trump em 21 de agosto vale por 90 dias e deve expirar em 19 de novembro.

Em paralelo, Brasil e Estados Unidos mantêm um grupo de trabalho para negociar o tarifaço de 37,5% que ainda atinge outros produtos brasileiros.