O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,82% em setembro, informou o IBGE nesta sexta-feira (9), acima da expectativa de 0,73% do mercado. Em 12 meses, a inflação oficial chegou a 4,58%, passando do teto de 4,5% perseguido pelo Banco Central.
A alta foi puxada por energia elétrica residencial, que subiu 7,98% com o fim do desconto do Bônus de Itaipu nas faturas de agosto, mais a cobrança extra da bandeira tarifária amarela. Todos os 9 grupos pesquisados pelo IBGE tiveram alta no mês.
Habitação liderou as altas, com 2,31% e impacto de 0,35 ponto percentual no índice. Transportes subiu 0,89%, com destaque para as passagens aéreas, que avançaram 9,66%, e os combustíveis, que subiram 1,41%.
A Alimentação e bebidas subiu 0,83%, depois de três meses seguidos de queda, puxada pelo tomate (alta de 37,76%) e pela batata-inglesa (24,07%).
Já em setembro, a tarifa de luz acumulava alta de 9,4% no ano, mesmo com a bandeira verde chegando em outubro.
O que o mercado esperava e o que isso muda na Selic?
O mercado esperava alta de 0,73% a 0,76%, segundo Reuters e Bloomberg; o resultado veio acima dessas projeções. A média dos núcleos de inflação, que filtra itens voláteis, acelerou de 0,23% para 0,36%, sinal de que a pressão de preços está mais persistente.
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Mesmo assim, analistas de mercado ainda veem chance de corte de 0,25 ponto percentual na Selic em novembro. O Boletim Focus, porém, já reduziu a Selic para dezembro, de 13,75% para 13,50%, e subiu o IPCA esperado, de 4,90% para 4,92%.
O mesmo boletim já havia piorado a projeção de inflação e de PIB na semana passada.
Por que a inflação baixa não ajudou Lula nas urnas?
O governo Lula chegou ao 1º turno com a menor inflação acumulada de um mandato desde o Plano Real, moeda em circulação desde 1994, segundo a Folha.
Mesmo assim, o petista ficou atrás de Flávio Bolsonaro na votação de domingo (4) e disputa o 2º turno em 25 de outubro.
Analistas ouvidos pela Folha apontam uma explicação: o que pesa na eleição não é a variação mensal, mas o nível acumulado dos preços. Itens básicos subiram menos no governo atual, mas sobre um patamar que já pesava no orçamento desde a pandemia.
Já era esperado que a inflação de setembro viesse mais forte, a 9 dias do 1º turno, e o dado confirmado agora supera até essa projeção.
O ponto em aberto
O Boletim Focus já projeta IPCA de 5,01% até dezembro, acima do teto da meta, e economistas apontam o El Niño como risco adicional para os preços de alimentos e energia a partir do segundo semestre.
Para o eleitor que decide o 2º turno em 25 de outubro, a pergunta não é mais se a inflação voltou, mas quanto ela ainda vai subir até o fim do ano.





























