A peste, doença medieval associada à Idade Média, ainda existe e mata quase 100% dos infectados sem tratamento. A forma pneumônica pode matar em até 48 horas. O tema voltou ao radar depois da morte de uma pesquisadora russa que estudava a bactéria.
A pesquisadora Daria Shipilova morreu na Sibéria após um tubo de ensaio se romper no laboratório onde ela trabalhava, em 25 de setembro.
O mundo desconfia da versão da Rússia sobre o caso, que envolve um instituto que pesquisa a própria bactéria da peste.
A bactéria Yersinia pestis causa a peste. Ela danifica tecidos em diversos órgãos e provoca hemorragias. Mosquitos e ratos estão entre os animais que mais transmitem doenças a humanos.
Quais são as formas da peste?
A peste tem três formas. Na bubônica, pulgas picam um roedor infectado e transmitem a bactéria a humanos, que desenvolvem gânglios linfáticos inchados e doloridos. Na septicêmica, o patógeno entra direto na corrente sanguínea.
Já a pneumônica chega aos pulmões por gotículas ou aerossóis de um animal ou de uma pessoa infectada. É a única forma em que a transmissão direta entre humanos é considerada provável, e a mais perigosa: pode matar em até 48 horas sem tratamento.
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Em 2014, o americano Paul Gaylord foi mordido pelo próprio gato, que estava doente. Os médicos primeiro trataram o caso como gripe e depois como doença da arranhadura do gato, mas os antibióticos não funcionaram.
Gaylord piorou, foi internado na UTI e entrou em coma. Só então os médicos descobriram que ele tinha peste. Sobreviveu por pouco e contou a história ao jornal britânico The Guardian.
Quantos casos de peste existem hoje?
Hoje são registrados até 3 mil casos de peste por ano no mundo, segundo o Instituto Robert Koch, da Alemanha. As regiões mais afetadas são a República Democrática do Congo, Uganda e, principalmente, Madagáscar.
Madagáscar teve o último grande surto em 2017 e registra entre 250 e 500 infecções por ano. Casos também aparecem ocasionalmente no oeste dos Estados Unidos.
Entre 1347 e 1353, a peste matou cerca de 25 milhões de pessoas e eliminou cerca de 60% da população europeia. As sucessivas ondas da pandemia duraram cerca de 500 anos.
A peste nunca desapareceu: ela só passou a ser rara, não inexistente. Hoje existem antibióticos eficazes contra a doença, mas o sucesso depende da rapidez do diagnóstico.
Em alguns lugares, o atraso para começar o tratamento pode ser fatal, sobretudo na forma pneumônica.
O que acontece agora
Na Rússia, a investigação sobre a morte de Daria Shipilova segue em andamento, com exames laboratoriais ainda sem conclusão. A Organização Mundial da Saúde afirma que acompanha o caso de perto.





























