Iten, pequena cidade do Quênia a 2.400 metros de altitude, virou destino de corredores do mundo todo em busca do segredo por trás das 38 medalhas de ouro olímpicas conquistadas por atletas quenianos em provas de longa distância, a maioria treinada ali.
O empresário português Pedro Queirós, de 45 anos, é um deles. Desde 2021, passa ao menos um mês por ano treinando na cidade, batizada de "casa dos campeões".
"Sou um corredor amador, não tenho patrocinadores, não sou pago", disse Queirós à CNN. "Mas eu amo o esporte, e o Quênia é o único lugar que me dá a oportunidade de me tornar o atleta que sempre sonhei ser."
A curiosidade começou no fim da pandemia, quando ele se preparava para a Maratona de Londres e leu sobre a cidade onde treinaram alguns dos melhores corredores de longa distância do mundo.
"Comecei a ficar curioso", contou. "O que eles fazem de diferente na África? E o que é preciso para ser um campeão?"
A resposta veio rápido. Depois de seis semanas no High-Altitude Training Center de Iten, o tempo de Queirós na maratona caiu para 2h38, uma marca respeitável para um amador.
Ele voltou outras oito vezes desde então, sempre antes de uma prova de longa distância ou da escalada de algum pico alto.
Publicidade
O centro que o recebeu não foi o primeiro, mas inspirou a dúzia que existe hoje em Iten.
A queniana Lornah Kiplagat, recordista mundial e atleta de três Olimpíadas, pensou no projeto em 1997 e inaugurou oficialmente o High-Altitude Training Center em 1999, convidando atletas locais para treinar ali.
A altitude de Iten, bem acima da faixa usada por outras bases de treinamento famosas no mundo, virou o diferencial que atraiu tanto campeões olímpicos quanto amadores como Queirós.
Hoje, o centro recebe até 90 pessoas na alta temporada, metade delas visitantes internacionais. O crescimento aparece nos números do turismo esportivo da cidade. Foram cerca de 300 visitantes por ano em 2010, contra mais de 3 mil em 2025.
O impacto não fica só com os estrangeiros: o centro já treinou gratuitamente quase 300 estudantes locais, parte do legado que Iten tenta deixar para a próxima geração de corredores quenianos.
O apelo da altitude e do treino de resistência também aparece entre brasileiros. Caio Bonfim bateu recorde na marcha atlética, prova que também exige preparo de longa distância.
No mesmo período, Diogo Soares foi prata internacional em Santa Fé.
Quanto custa treinar em Iten?
A hospedagem no principal centro de treinamento custa cerca de 50 euros por dia, o equivalente a R$ 295. Sessões avulsas com treinadores locais saem por cerca de 5 euros, perto de R$ 30.





























