As exportações brasileiras para os EUA subiram 31,9% em setembro, a US$ 3,52 bilhões, no mesmo mês em que as vendas à China caíram 7,6%, com tombo de 93,5% na carne bovina. As duas coisas têm a mesma raiz: tarifa.
O salto nos EUA veio de uma isenção temporária que Trump concedeu em agosto a até 300 mil toneladas de carne bovina importada. A meta era conter o preço da carne no mercado americano, que havia batido US$ 9,64 a libra em abril.
Por que as vendas à China derreteram no mesmo mês
Enquanto os EUA abriam a porta, a China fechava. O Brasil bateu a cota anual de carne bovina liberada pelo país e passou a pagar sobretaxa sobre o excedente, com tarifa final de 67% sobre o que exceder o limite.
O resultado na balança de carne bovina, somando todos os destinos, foi uma queda de quase 40% no volume vendido em setembro. O preço médio, porém, subiu 11,9%, a US$ 6,28 por quilo — o maior patamar nominal desde 2022.
O que a janela dos EUA não resolve
O acumulado de janeiro a setembro ainda mostra queda de 6,5% nas exportações brasileiras aos EUA frente a 2025, para US$ 27,46 bilhões. O salto de setembro é uma inflexão pontual, não uma reversão do ano.
A isenção de Trump também não é permanente: foi anunciada como medida de 90 dias. No mesmo prazo, em sentido oposto, o Brasil esgotou a cota chinesa e passou a pagar sobretaxa.
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Quem paga a conta no Brasil
A medida de Trump foi desenhada para baratear a carne para o consumidor americano, não para o brasileiro. O preço médio de exportação subiu no mesmo mês em que o volume vendido caiu, o que tende a reduzir a oferta disponível no mercado interno.
Não há, até aqui, indicação de que o preço da carne no Brasil vá cair por causa da nova rota de exportação.





























