O governo do presidente Lula (PT) não avalia os próprios erros e concentra as críticas internas nas falhas da campanha eleitoral, avalia o analista político Lucas de Aragão, sócio da consultoria Arko Advice. Para ele, o 2º turno é um desafio considerável para o petista.
"A gente não tem candidatos que ficaram no primeiro turno e que os votos sobraram para o segundo turno com uma compatibilidade natural com o presidente Lula", disse Aragão.
Segundo o analista, a campanha está "claramente confusa", com integrantes se culpando mutuamente pelo desempenho abaixo do esperado no 1º turno. Ele observa que as justificativas internas do PT raramente mencionam problemas do próprio governo.
"Quando se ouvem os argumentos pelos quais o presidente Lula não conseguiu chegar mais perto do Flávio ou liderar esse primeiro turno, a gente escuta muito pouco sobre problemas do governo. O que a gente escuta é problemas da campanha."
O recado é direto.
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Para Aragão, é como se o governo ignorasse eventuais erros na proximidade com o STF ou em questões políticas e econômicas. A leitura não é unânime dentro do partido. Outro consultor já avaliou que Lula precisa de uma virada inédita para vencer o 2º turno.
Lideranças e aliados petistas também fazem autocrítica. Avaliam que o terceiro mandato foi "medíocre", marcado por isolamento, e que Lula teve "cabeça dura" ao insistir na indicação de Jorge Messias ao STF. Para esse grupo, a campanha se concentrou "apenas na bolha da esquerda".
Aragão aponta a abstenção como o principal fator de risco para Lula no 2º turno. Historicamente, ela não diminui na segunda votação, e tende a pesar mais sobre o lado que já estava atrás no primeiro turno.
O alerta tem respaldo nos números. A abstenção no 1º turno já foi a maior desde 1998, segundo o TSE. Em 2022, ela aumentou nos estados em que Lula venceu e caiu onde Jair Bolsonaro saiu vitorioso, lembra o analista.
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Soma-se a isso outro obstáculo logístico. Milhões de eleitores têm título em cidade diferente de onde moram hoje, o que dificulta a mobilização para votar.
"Hoje o presidente Lula tem uma dificuldade que é reduzir a abstenção, convencer eleitores que não estão naturalmente em seu campo e ainda assim atrair votos de pessoas que já votaram em Flávio Bolsonaro", resume Aragão.
O que acontece agora
Lula retoma as caminhadas de campanha nesta sexta-feira (9), com agenda que segue até São Paulo, na tentativa de reduzir a distância para Flávio antes do 2º turno, em 25 de outubro.





























