Um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos, liderado pela deputada democrata Delia Ramirez e assinado por Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez, enviou carta ao secretário de Estado Marco Rubio nesta quinta-feira (24) acusando o governo Trump de interferência no Brasil antes da eleição.
A carta cita ações do governo americano contra o Brasil: sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, a designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e tarifas comerciais.
Os parlamentares também apontam a revogação do visto do embaixador brasileiro em Washington e a nomeação de Darren Beattie para supervisionar as relações entre os dois países.
Segundo o documento, enviado nesta quinta-feira (24) ao secretário de Estado Marco Rubio, a iniciativa foi liderada pela deputada democrata Delia Ramirez, de Illinois. Ao todo, 31 parlamentares dos EUA assinam o texto, incluindo Sanders e Ocasio-Cortez.
Escrevemos para expressar nossa grave preocupação em relação ao esforço coordenado do governo para ameaçar nossa aliança estratégica com o Brasil e desestabilizar a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental.
A frase é da carta assinada por Sanders, Ocasio-Cortez e os outros 29 parlamentares.
Os parlamentares pedem explicações sobre a metodologia de sanções e o critério para designar grupos como terroristas. Também cobram que os EUA respeitem o processo eleitoral brasileiro e reconheçam o resultado de outubro. É um compromisso que os EUA ainda não assumiram.
O texto chega dias depois de Sanders se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU. Na ocasião, o senador defendeu que a esquerda americana apoie o Brasil diante das pressões de Trump.
Eduardo Bolsonaro havia pedido a Trump a sanção Magnitsky contra Moraes semanas antes da carta, um dos episódios que os parlamentares citam como pressão americana sobre o Judiciário brasileiro.
O Brasil recorreu à Organização Mundial do Comércio contra o tarifaço americano na semana passada. A medida eleva a tensão comercial que dura desde julho de 2025, quando Trump impôs tarifa de até 50% sobre produtos brasileiros.
A Abin, agência de inteligência do governo brasileiro, já havia elevado a nível crítico o risco de interferência dos EUA nas eleições de outubro, dias antes de a carta chegar a Rubio.
O que acontece agora
Os parlamentares deram até 1º de outubro para o secretário de Estado Marco Rubio responder às sete perguntas da carta. Até a publicação desta matéria, nem o Departamento de Estado americano nem o Itamaraty haviam se manifestado sobre o conteúdo do documento.































