O chanceler Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, se reuniram nesta quarta-feira (30) com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em Milwaukee, para negociar o tarifaço imposto em julho. Os países criaram um grupo de trabalho para buscar acordo.
O encontro ocorreu durante a reunião de ministros do Comércio do G20 e durou cerca de 50 minutos, segundo o g1.
A CNN Brasil apurou que a conversa começou por volta das 9h10 no horário local, com dez minutos a sós entre os três chefes de delegação e mais meia hora com os assessores dos dois lados.
Em nota conjunta, os ministérios do Exterior e do Desenvolvimento classificaram a reunião como construtiva. Segundo a nota, o governo americano deve enviar, nas próximas semanas, um documento com proposta sobre questões tarifárias e não tarifárias entre os dois países.
Márcio Elias Rosa disse esperar receber essa proposta dentro de quatro semanas. Ele afirmou que a expectativa é avançar em um acordo ou em isenções tarifárias para setores específicos até o fim de 2026.
Elias Rosa resumiu assim o estágio da negociação:
Nós estamos construindo esse caminho com os propósitos muito claros e com os limites muito bem definidos e que eles agora vêm respeitando. É óbvio, uma negociação que não abranja e nem abarque, obviamente, nada que possa significar prejuízo para o Brasil, comprometer interesses do Brasil.
A reunião em Milwaukee foi a primeira presencial entre autoridades dos dois países desde o telefonema entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente Lula, em agosto.
Na ocasião, os dois mandatários mandaram as equipes retomar as negociações.

Qual é o tamanho do tarifaço
O tarifaço soma 37,5% sobre produtos brasileiros desde julho, resultado de duas tarifas: 25% por alegadas práticas comerciais desleais e mais 12,5% por supostos controles inadequados contra trabalho forçado nas cadeias de importação que o Brasil exporta aos americanos.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, 23% das exportações brasileiras aos EUA estão sujeitas a pelo menos uma das duas tarifas. É mais uma etapa da tentativa do governo de reduzir o tarifaço por via diplomática.
Os números mostram que a disputa comercial não é marginal. Ela atinge setores inteiros, com pouca margem de isenção, e ainda não tem prazo para terminar.
Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de julho, mostra que a tarifa combinada atinge quase 4 mil produtos brasileiros. Entre os setores mais expostos estão madeira, minerais não metálicos e máquinas e equipamentos.
O governo brasileiro contesta a acusação de trabalho forçado nas cadeias produtivas e diz ter legislação moderna contra o problema. Também considera as tarifas infundadas, pois o Brasil tem déficit comercial com os Estados Unidos e compra mais dos americanos do que vende a eles.
O que acontece agora
O grupo de trabalho criado em Milwaukee vai analisar a proposta que o governo americano promete enviar em até quatro semanas, com questões tarifárias e não tarifárias entre os dois países.
Márcio Elias Rosa projeta avançar em um acordo ou em isenções setoriais até o fim de 2026, mas o documento com a oferta concreta dos EUA ainda não existe. Até lá, a tarifa de 37,5% segue em vigor sobre as exportações brasileiras afetadas.
































