A venda de máquinas e equipamentos no Brasil acumula queda de 13,2% até agosto deste ano, para R$ 177,6 bilhões, segundo a Abimaq, associação do setor. Só em agosto, o recuo foi de 15,5% na comparação com o mesmo mês de 2025.

A queda é ainda maior nas vendas internas: recuo de 15,5% em oito meses, com receita de R$ 132,1 bilhões. Em agosto, a receita interna caiu 16,4% na comparação anual.

Por que as vendas caíram

A Abimaq atribui a queda aos efeitos defasados da política monetária restritiva sobre o crédito corporativo. Segundo a associação, as taxas de juros reais elevadas encarecem o financiamento de bens de capital e inibem novos projetos de investimento industrial.

O Copom cortou a Selic em setembro, mas o corte veio no mesmo dia em que o Fed subiu os juros nos EUA, e a Abimaq diz que o efeito da política restritiva anterior ainda pesa sobre o crédito das empresas.

No segmento agrícola, que responde por cerca de 30% das receitas do setor, a queda foi ainda mais forte: 22,4% no acumulado do ano. A diretora da Abimaq, Cristina Zanella, atribui o resultado ao endividamento dos produtores rurais.

O governo estuda uma MP para renegociar as dívidas do agronegócio, endividamento que Zanella aponta como uma das causas da queda nas vendas de máquinas agrícolas.

Quem ganha com a queda da indústria nacional

Enquanto as vendas internas caíam, as importações de máquinas cresceram 5,2% em oito meses, para US$ 22,2 bilhões. Os fabricantes nacionais perderam espaço: respondem hoje por 52,4% do consumo aparente, ante 54,7% um ano atrás.

O maior fornecedor estrangeiro é a China, que já pressiona a indústria brasileira em outras frentes com exportações recordes do país asiático.

A queda nas vendas não é só menos demanda: é também demanda migrando para fora, já que as importações chinesas de máquinas subiram 18,8% no mesmo período em que a receita interna do setor caiu.

O que pode mudar esse quadro

O cenário depende de duas variáveis que a Abimaq não controla: a trajetória dos juros reais e o câmbio, que hoje corrói o retorno das exportações do setor.

Sem esses dois fatores mudando, a recuperação do investimento industrial tende a ficar represada. A fatia que a indústria nacional já perdeu para a China não volta sozinha.