O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, disse nesta quarta-feira (30) que o país deveria reavaliar sua relação com a União Europeia, incluindo a possibilidade de retorno pleno ao bloco, dez anos depois do referendo que aprovou a saída britânica da União Europeia.
Na conferência anual do Partido Trabalhista, na terça (29), Burnham afirmou que a saída "fez mais mal do que bem" e não cumpriu a promessa de "retomar o controle" feita pelos defensores do Brexit em 2016.
Poderíamos continuar como estamos. Essa é definitivamente uma opção, se as pessoas acharem que este é o lugar certo para permanecer.
Em entrevista à BBC, Burnham listou opções: adesão plena à UE, retorno ao mercado único ou entrada numa união aduaneira. Ele já havia feito campanha pela permanência no referendo de 2016.
A reação de Emmanuel Macron, em Madri, foi de acolhida condicional: seria "notícia muito boa" se o Reino Unido voltasse, mas o país não poderia escolher partes da adesão.
"Não se pode escolher entre as liberdades da União, nem decidir ficar apenas com aquilo que convém", disse o presidente francês.
O premiê espanhol, Pedro Sánchez, foi mais entusiasta: "Receberíamos o Reino Unido de braços abertos." Os dois líderes se encontraram na véspera das eleições de 2027 na França e na Espanha, nas quais a extrema direita deve avançar nos dois países.
O que dez anos de Brexit custaram à economia britânica
O PIB do Reino Unido está 6% abaixo do que seria sem o Brexit, segundo estimativa do centro de pesquisa Centre for European Reform. As exportações britânicas para a UE ficaram 15% menores do que no cenário anterior à saída.
O órgão fiscal oficial do governo britânico também mede perdas. "Nossa estimativa central é que o Brexit vai reduzir a produtividade do Reino Unido em 4% no longo prazo", disse Richard Hughes, presidente do Office for Budget Responsibility (OBR), a estudo publicado em junho.
O país também acumulou diferença de mais de 200 bilhões de libras em investimento de capital fixo, em relação aos pares do G7, desde 2016. É esse conjunto de números que Burnham cita quando diz que o Brexit "fez mais mal do que bem".
O que os britânicos pensam do Brexit hoje
Pesquisa do instituto YouGov, feita em junho, mostrou que 55% dos eleitores britânicos apoiam a volta à UE, contra 34% contrários. Entre a Geração Z, o apoio à reintegração chega a 60%, segundo o think tank More in Common.
"Votei pela saída porque achei que seria melhor, mas não, na verdade não foi", disse à imprensa britânica Gary Knowles, de 64 anos, faxineiro e cabeleireiro em Barking, região de Londres.
O ponto em aberto
Macron já deixou clara sua condição: sem meio-termo entre estar dentro ou fora do bloco. Isso deixa em aberto se um eventual retorno seria de adesão plena, a única opção que a França parece disposta a aceitar.
A pergunta ganha peso porque as negociações aconteceriam às vésperas de eleições na França e na Espanha em que a extrema direita, historicamente cética quanto à integração europeia e em ascensão também na Alemanha, deve crescer nos dois países.






























