O BNDES liberou nesta quarta-feira (30) os primeiros R$ 18 milhões para o projeto agroflorestal da Courageous Land em Rorainópolis, sul de Roraima. O desembolso integra financiamento de R$ 116 milhões do Fundo Clima para recuperar áreas degradadas no estado.

O plano é plantar café, açaí, cacau e madeiras nativas na região.

O investimento total do projeto soma cerca de R$ 340 milhões. O financiamento do BNDES cobre insumos, mão de obra, obras civis, máquinas, equipamentos e capital de giro, segundo a Agência Estado.

O projeto chega a Roraima num momento em que a geração de empregos no campo já era pauta para impulsionar a economia do estado.

O que muda na prática para a região?

A meta é implantar sistemas agroflorestais em 2 mil hectares hoje degradados. Cerca de 9,7 milhões de mudas devem ser plantadas ao longo do projeto, entre café, açaí, cacau, banana, pimenta-do-reino, coco e madeiras nobres.

O projeto prevê 603 empregos diretos e indiretos durante a implantação e 682 postos permanentes depois da fase inicial. A expectativa é remover cerca de 33,9 mil toneladas de CO2 equivalente por ano, uma vez a área recuperada.

Atualmente, a Courageous Land já tem 450 hectares implantados dentro da meta de 2 mil.

É justamente em áreas esvaziadas pelo desemprego no campo que a pressão pelo desmatamento tende a crescer quando falta alternativa de renda, como já apontou pesquisa sobre desemprego e desmatamento na Amazônia.

Gilberto Terra, cofundador da Courageous Land, disse que o financiamento não é mais o principal obstáculo para esse tipo de projeto. "Hoje não falta dinheiro no mercado para financiar projetos com essa proposta. O desafio agora está na formação de habilidades", afirmou.

O que acontece agora

O desembolso desta quarta é a primeira parcela liberada dentro do financiamento de R$ 116 milhões aprovado pelo Fundo Clima. Novas liberações devem seguir o cronograma de implantação dos 2 mil hectares.

A Courageous Land não é a única beneficiada pelo programa neste ano: o BNDES já havia aprovado R$ 200 milhões para outro projeto de restauração florestal na Amazônia, em setembro.