O presidente nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, desistiu nesta quarta-feira (30) da candidatura à Presidência, a quatro dias do primeiro turno, marcado para domingo (4). Em nota, ele citou "motivos técnicos, jurídicos e pessoais" e disse não apoiar nenhum dos adversários que lideram as pesquisas.

Avalanche, cujo nome de registro é Leonardo Alves de Araújo, é empresário e preside o PRTB desde 2024. Na nota, criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula (PT), os dois nomes à frente na corrida, segundo a Agência Brasil.

"Qual a diferença entre o ladrão de galinhas e o ladrão de ovos? Talvez o ladrão de galinhas todo mundo já conheça, mas o ladrão de ovos roubará a esperança e a confiança em dias melhores. Não manifestarei apoio a nenhum dos candidatos, por entender que nenhum deles nos representa", escreveu Avalanche.

Avalanche assumiu a candidatura em 15 de setembro, no lugar de Pablo Marçal, depois que o TSE cassou por unanimidade o registro dele. O tribunal acolheu a tese de que Marçal não estava filiado ao PRTB dentro do prazo legal.

Marçal migrou do União Brasil para o PRTB apenas em março. Ele também segue inelegível até 2032 por abuso de poder político e econômico na campanha à prefeitura de São Paulo em 2024, segundo a Agência Brasil.

É a segunda vez em menos de dois meses que os dois trocam de posição na chapa. Avalanche fora o candidato original, lançado em convenção em Goiânia (GO), em julho, antes de ceder o posto a Marçal em agosto.

O que diz a lei sobre desistir tão perto da eleição?

A Lei das Eleições (nº 9.504/1997, artigo 13) permite que o partido troque livremente de candidato até 20 dias antes do pleito. Passado esse prazo, a substituição só vale para morte, inelegibilidade declarada ou decisão judicial que anule o registro.

A desistência de Avalanche chega quatro dias antes da votação, quando o prazo de troca livre já tinha vencido havia mais de duas semanas. A desistência chega tarde demais para o partido escolher outro nome antes da votação.

Na prática, o nome e o número 28 do PRTB seguem registrados no sistema do TSE para o primeiro turno de domingo.

Avalanche não é o único sob pressão para abandonar a disputa. Romeu Zema (Novo) também foi cobrado por aliados a desistir e declarar apoio a Flávio Bolsonaro, mas negou a saída nesta segunda-feira (28) e disse que fará campanha até o fim.

O TSE registrou 13 candidaturas à Presidência em 2026, uma a mais que as 12 de 2022, entre elas Lula, que busca a reeleição, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Zema.

A plataforma lançada por Avalanche em julho apostava em menos impostos, livre iniciativa e redução do governo federal. Ele nunca disputou um cargo eletivo antes desta candidatura.

O que acontece agora

O primeiro turno é neste domingo (4), com votação para presidente, governador, senador e deputados federal e estadual. O PRTB segue disputando as demais vagas do pleito independentemente da desistência de Avalanche à Presidência.

Situação parecida ocorreu com Marçal. Antes de ser barrado de vez pelo TSE, a homologação da inelegibilidade dele já levantava dúvidas sobre o efeito do voto na urna.