A Polícia Federal abriu nesta quarta-feira (30) um inquérito para investigar ataques contra imagens religiosas em diferentes regiões do país. A investigação foi determinada pelo ministro Flávio Dino, do STF, depois de indícios identificados numa análise inicial da corporação policial.

A apuração ficará sob responsabilidade da Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor), segundo o Metrópoles.

Dino citou episódios ocorridos entre março e setembro deste ano que, segundo ele, apontam para uma "onda de ataques" contra imagens e símbolos religiosos pelo país.

Os casos reunidos pelo ministro envolvem vandalismo e destruição de imagens de diferentes santos católicos, além de ataques contra orixás e símbolos ligados à Umbanda.

O que a PF vai apurar

Caberá à corporação investigar as circunstâncias de cada ataque, a autoria dos atos e se há relação entre as ocorrências registradas em estados diferentes. A avaliação da PF é que o volume de casos justifica uma apuração conjunta.

O pedido de Dino não é um gesto isolado do ministro sobre o tema. Na semana passada, ele já havia derrubado uma decisão do colega André Mendonça para liberar posts sobre uma padroeira. Dias depois, uma disputa sobre Nossa Senhora Aparecida também chegou ao STF.

As três frentes tratam do mesmo ponto: como o Judiciário reage à circulação de conteúdo e a ataques ligados a símbolos de fé, tema que ganhou espaço nas decisões do tribunal nas últimas semanas.

A distinção entre os dois tipos de episódio que chegam ao STF nem sempre é clara para quem acompanha de fora: racismo religioso e intolerância religiosa são conceitos diferentes, e a PF ainda vai definir em qual moldura penal cada ataque se encaixa.

O que acontece agora

Com o inquérito formalizado, a PF passa a reunir provas sobre cada episódio citado por Dino e pode pedir novas diligências conforme a apuração avançar. Não há prazo público definido para a conclusão da investigação.