O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou 0,9 ponto em setembro, para 110,8 pontos. A queda veio do componente de Expectativas; o de Mídia, ligado ao noticiário político, ficou estável, segundo o Valor e o InfoMoney.

A média móvel trimestral do índice recuou 0,2 ponto, para 110,6 pontos. O componente de Mídia segue em 111,6 pontos; o de Expectativas caiu 3,7 pontos, para 103,2 pontos, a terceira queda seguida deste componente.

Os números não repetem o gráfico: mostram que a melhora foi só na parte técnica do índice. "Esse resultado tem uma característica mais pontual de queda do que uma redução ou uma tendência de queda da incerteza", afirma Stefano Pacini, economista do FGV Ibre.

Até metade de setembro, as projeções de mercado para o IPCA de 2026 vinham caindo havia três semanas, a 4,9%. No Focus mais recente, a projeção voltou a subir, para 4,99%, e a estimativa do PIB recuou para 1,86%.

Isso significa que o mercado está mais confiante na trajetória da inflação e dos juros, mas não ficou menos preocupado com o cenário político.

"A gente consegue ver as palavras mais citadas [no noticiário] envolvendo as questões institucionais e esse cenário conturbado de escândalos na nossa economia", diz Pacini.

Por que o índice segue no patamar de alerta

O índice segue oscilando perto dos 110 pontos, patamar que a FGV considera de alerta. Entre as preocupações que sustentam esse nível estão os possíveis efeitos inflacionários do El Niño e a pressão para conter os gastos públicos.

Em maio, o mesmo indicador também tinha caído, mostrando que o movimento não é uma tendência linear de queda.

O cenário é parecido com o de outros termômetros da economia: a TV Sim Brasil mostrou por que a confiança da indústria cai há três meses seguidos, e a intenção de investir também recuou ao menor nível desde a pandemia.

O que acontece agora

A FGV divulga a próxima leitura do IIE-Br em outubro. O Boletim Focus, base do componente de Expectativas, é atualizado semanalmente pelo Banco Central e deve mostrar se a queda na projeção de inflação continua.