A Azul recebeu nesta terça-feira (29) a primeira parcela de R$ 1,3 bilhão do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), após fechar contrato definitivo com o BNDES. O valor faz parte de um financiamento total de R$ 2,66 bilhões para a companhia.

A parcela restante, de valor semelhante, deve ser liberada no quarto trimestre deste ano. O financiamento tem prazo de até cinco anos.

A linha de crédito nasceu em julho para dar fôlego às aéreas diante da alta do combustível de aviação.

Para onde vai esse dinheiro?

A Azul está usando parte dos recursos para quitar antecipadamente uma dívida existente de custo mais alto, no valor aproximado de R$ 400 milhões. A empresa diz que a operação reforça sua liquidez e amplia a flexibilidade financeira.

O desembolso é a contrapartida prática de uma linha de R$ 8 bilhões que o BNDES aprovou em julho para dar fôlego às companhias aéreas brasileiras.

Na ocasião, Azul, Gol e Latam ficaram autorizadas a tomar até R$ 2,7 bilhões cada uma, com taxa fixa de 4% ao ano mais o spread do banco.

Como contrapartida do crédito, as companhias ficam impedidas de distribuir dividendos acima do mínimo obrigatório enquanto durar a operação.

Além dessa linha de capital de giro, o BNDES reservou outros R$ 5,565 bilhões para financiamento de longo prazo do setor aéreo, voltados à compra de aviões, motores, peças e combustível sustentável de aviação.

A Azul vinha de um ano tentando reduzir o peso da própria dívida, e o novo financiamento entra justamente para trocar passivo caro por um mais barato. Em julho, a companhia já apostava em clientes de alta renda como parte da estratégia de desalavancagem.

O que acontece agora

A Azul deve receber a segunda parcela do financiamento, também de cerca de R$ 1,3 bilhão, no quarto trimestre de 2026. Os recursos do Fnac ficam disponíveis para uso até dezembro deste ano.

O movimento acontece no mesmo período em que o Cade aprovou a entrada da American Airlines no capital da companhia, outro capítulo da reorganização financeira da Azul neste ano.