Donald Trump e Xi Jinping fecharam nesta quinta-feira (24) uma trégua comercial até 10 de janeiro de 2027, com corte de tarifas ligadas ao fentanil. A China mantém a compra de 25 milhões de toneladas de soja dos EUA, pressionando a fatia do Brasil.

O encontro em Washington marcou a primeira visita de Xi aos Estados Unidos desde o início do segundo mandato de Trump. Trump reafirmou que ele e Xi compartilham uma "grande amizade verdadeira", e o líder chinês defendeu que as duas potências precisam "coexistirem pacificamente".

Segundo o relato da agência AFP, a Casa Branca recebeu o presidente chinês com recepção na pista de decolagem, exibição de trombetas e bandeiras na chegada e um jantar de gala com mais de 130 convidados, entre eles cerca de 20 integrantes da delegação chinesa.

"Ostentar, essa era a ideia", disse Ryan Hass, do think-tank Brookings, à AFP. "A mensagem era que ambos os líderes são capazes de gerir eficazmente as relações entre China e Estados Unidos dentro de limites toleráveis de competição."

O que muda na guerra tarifária?

Segundo Trump, muda o valor cobrado sobre importações chinesas: a tarifa ligada ao fentanil caiu de 20% para 10%, reduzindo o total de tarifas sobre produtos chineses de 57% para 47%. Em troca, a China prometeu conter o tráfico da droga aos EUA.

Como parte do acordo, válido por um ano, Pequim também adia a imposição de restrições mais duras à exportação de terras raras.

A China cumpre a meta de comprar soja dos EUA, mas está atrasada na promessa de adquirir US$ 17 bilhões anuais em outros produtos agrícolas americanos entre 2026 e 2028.

Como fica a soja do Brasil?

Fica sob pressão: quanto mais soja americana a China compra por acordo político, menor o espaço que sobra para o grão brasileiro no maior comprador mundial da oleaginosa, hoje o principal destino das exportações do país.

A exportação brasileira do grão já vinha encolhendo à medida que os EUA recuperavam fatia do mercado chinês nas últimas semanas. O efeito, porém, não é só de perda.

Uma trégua mais estável entre as duas maiores economias do mundo tende a aquecer a demanda chinesa por commodities em geral, incluindo minério de ferro e carne brasileiros.

Foi o mesmo mecanismo que, em agosto, levou a China a bater recorde de comércio com o Brasil, mesmo com a disputa tarifária ainda ativa com Washington.

O que acontece agora

O acordo vale por um ano. Taiwan segue sem solução: Xi pediu que os EUA ajam "com prudência" e se oponham à independência da ilha. A Casa Branca não sinalizou mudança na posição americana.

Também ficaram de fora das declarações o futuro do TikTok nos EUA e a meta agrícola ainda pendente da China. O Brasil segue como espectador de um acerto que decide, em Washington e Pequim, o espaço do agronegócio na safra 2026/27.