Os embarques de soja inspecionados para exportação nos Estados Unidos somaram 759.193 toneladas na semana encerrada em 17 de setembro, alta de 11,6% ante a semana anterior, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O avanço acompanha a retomada das compras chinesas nos EUA.
O relatório semanal do USDA, divulgado na segunda-feira (21), mostra também o milho, com 1,94 milhão de toneladas inspecionadas, alta de 24,9% na semana. Já o trigo teve queda de 29,1%, para 335.253 toneladas.
Na comparação com a mesma semana do ano passado, os embarques de soja subiram 34,2% e os de milho avançaram 39,9%, enquanto o trigo recuou 64,3%. No acumulado do atual ano-safra, a soja americana está 1,78% acima do ciclo anterior e o milho, 15,9% acima.
O que muda para o exportador brasileiro
A retomada das compras chinesas nos EUA já tem efeito direto no Brasil. A Abiove reduziu, em 18 de setembro, a previsão de exportação brasileira de soja em 2026 de 115,4 milhões para 115 milhões de toneladas.
É a primeira redução mensal da estimativa desde março. A China intensificou as compras nos EUA às vésperas da visita de Estado do presidente Xi Jinping a Washington, o que tira parte da demanda que iria para os portos brasileiros.
"Seguimos acompanhando os indicadores de oferta e demanda com cautela para garantir o suprimento regular de grãos e derivados ao longo do ano", disse Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove.
A Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) projeta queda ainda maior nas vendas à China, de 87 milhões para 77 milhões de toneladas em 2026, dez milhões a menos que no ano passado.
Considerando a retomada do fornecimento de soja pelos Estados Unidos, o Brasil deverá manter os volumes de exportação observados nas últimas temporadas com no mínimo 70% desse total destinado à China.
avaliou o diretor-geral da Anec, Sérgio Mendes.
Apesar da concorrência americana, as exportações totais de soja do Brasil devem fechar 2026 em recorde de 112 milhões de toneladas, alta de 6,3% sobre 2025, puxadas pela diversificação para outros mercados.
Essa diversificação passa também por novas rotas logísticas, como o porto de Chancay, no Peru, que já pressiona as rotas do agro brasileiro rumo à Ásia.
A relação entre as duas potências agrícolas segue sendo acompanhada de perto pelo Brasil. A visita de Xi Jinping aos Estados Unidos tende a definir o volume que sobra para os portos brasileiros no restante do ano.
O que acontece agora
Xi Jinping chega a Washington nesta quarta-feira (23) para visita de Estado à Casa Branca, com cerimônia e jantar oficial na quinta (24), a primeira do tipo em 11 anos. O encontro deve balizar o novo patamar de compras chinesas nos EUA pelos próximos meses.
EUA e China já negociam uma trégua comercial que também afeta o mercado de commodities agrícolas. A Abiove deve divulgar a próxima revisão da previsão de exportação brasileira em outubro, quando o efeito da visita sobre os embarques já estará mais claro.






























